quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eduardo e Mônica - o filme - comédia romântica


Eduardo e Mônica

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E que irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar:
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque,
Noutro canto da cidade
Como eles disseram.

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer.
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
— Tem uma festa legal e a gente quer se divertir.
Festa estranha, com gente esquisita:

  Eu não estou legal. Não agüento mais birita.
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir p'rá casa:
— É quase duas eu vou me ferrar.

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar.
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard.
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo.
Eduardo e Mônica eram nada parecidos -
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis.
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês.
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus,
De Van Gogh e dos Mutantes,
De Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol de botão com seu avô.

Ela falava coisas sobre o Planalto Central,
Também magia e meditação.
E o Eduardo ainda estava
No esquema "escola-cinema-clube-televisão".

E, mesmo com tudo diferente,
Veio mesmo, de repente,
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia,
Como tinha de ser.

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia,
Teatro, artesanato e foram viajar.
A Mônica explicava p'ro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar:
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar;
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa,
Que nem feijão com arroz.
Construíram uma casa uns dois anos atrás,
Mais ou menos quando os gêmeos vieram -
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram.

Eduardo e Mônica voltaram p'rá Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão.
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação.

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Renato Russo

Gabriela, cravo e canela - re-make of a soap opera - Gabriela é escrita por Walcyr Carrasco, com direção de núcleo de Roberto Talma e direção geral de Mauro Mendonça Filho, tem figurino de Labibe Simão e caracterização de Juliana Mendonça. A mininovela tem previsão de estréia para dia 19 de junho.



GABRIELA

Os meus versos sem sentido
só têm senso por aquela
que meu tino decaído
de manhã, à noite, vela.

Foi, de um peito, subtraído
o estro rubro em esparrela,
e o cérebro há percebido
a mais cândida seqüela.

Tendo, assim, da vida o viço
mais festivo e intenso dela
sorvido em leito castiço,

emolduro na janela
um altar a seu serviço
pagão para Gabriela...

Marcos Satoru Kawanami
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I'm not a misanthrope.
I just can't stand stupid people.
And the world is full of them.


Transparência social era quando os vidros dos carros eram transparentes.


O mundo melhora para pior. Daí, mantém-se a média.


O ser humano normal fica numa faixa de normalidade, é uma média estatística aritmética, do tipo medíocre mesmo.


Para mim, a Estatística é uma ciência pouco científica; do tipo: vai que dá...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

THE LEGEND OF 1900


THE LEGEND OF 1900

O barco sintetiza o nosso autismo,
o porto nos aparta do que é mal
que é terra firme afeita ao vil metal
onde naufraga todo idealismo.

Sim, em verdade, o nosso esquisitismo
é lápide funesta sepulcral
durante toda a vida. Na real,
o medo não me assalta ao pé do abismo.

Pois sei que o reles fado da matéria
é o caos quem rege, ou seja, a mão de Deus,
fazendo tudo em prol do bem maior.

E o mundo já parece uma pilhéria,
em tudo sendo bom no caos, e os meus
dias são mais reais no além melhor.

Marcos Satoru Kawanami
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Eu nunca poderei crer que o ser humano pratica o mal porque tem aptidão para o mal.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Francisca Edwiges Neves Gonzaga - Chiquinha Gonzaga - Beth Carvalho canta o "Maxixe da Zeferina".



MAXIXE DA ZEFERINA

Sou mulata brasileira
Sou dengosa feiticeira
A flor do maracujá
A flor do maracujá

Minha mãe foi trepadeira
Ela arteira e eu arteira
Vivo igualmente a trepar
Vivo igualmente a trepar

Pança com pança
Bate com jeito
Entra na dança
Quebra direito
Quebra direito

Esse maxixe
Quase me mata
Não se enrabiche
Pela mulata
Pela mulata

Este maxixe
Quase me mata
Não se enrabiche
Pela mulata
Pela mulata

Chiquinha Gonzaga

Chiquinha, com 1 ano de idade, no colo de sua mãe.

Biografia de Chiquinha Gonzaga, do site e-Biografias:

Chiquinha Gonzaga (1847-1935) foi compositora, pianista e regente brasileira. Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Autora da primeira marchinha de carnaval "Ó abre alas". Desde criança mostrou interesse pela música. Dedicou-se ao piano e compôs valsas e polcas. Separada do marido, dava aulas de piano e apresentava-se com o conjunto Choro Carioca, em festas domésticas, tocando piano. Seu primeiro sucesso, com 29 anos, foi a composição "Atraente", um animado choro. Se dedicou a musicar peças para o Teatro de Revista, sofrendo preconceitos, mas finalmente inicia sua carreira de maestrina com a revista "A corte na roça". Sua música faz grande sucesso e recebe vários convites de trabalho. Sua carreira ganha prestígio com a marcha-rancho "Ó abre alas" feita para o carnaval de 1899.



A peça de teatro "Forrobodó", musicada por Chiquinha Gonzaga, e apresentada em um bairro pobre do Rio de Janeiro, torna-se um sucesso, atingindo 1500 apresentações. As músicas são cantadas por toda cidade. "Forrobodó" torna-se o maior sucesso teatral de Chiquinha e um dos maiores do Teatro de Revista do Brasil.
Chiquinha Gonzaga lutou pelos direitos autorais, depois de encontrar em Berlim, várias partituras suas, reproduzidas sem autorização. É fundadora, sócia e patrona da SBAT - Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, ocupando a cadeira nº 1. 



Francisca Edwiges Neves Gonzaga (1847-1935) ficou conhecida como Chiquinha Gonzaga. Nasceu no Rio de Janeiro no dia 17 de outubro. Filha de José Basileu Alves Gonzaga, primeiro-tenente, de família ilustre do Império, e Rosa Maria Lima, mestiça e pobre. Apesar da família de José Basileu não ter grandes condições financeiras, Chiquinha Gonzaga recebeu a mesma educação dada às crianças burguesas da época. Estudou português, cálculo, inglês e religião com o Cônego Trindade e música com o Maestro Lobo.
Em 1863, com dezesseis anos, seguindo as exigências do seu pai, Chiquinha Gonzaga casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, um jovem e rico oficial da Marinha, oito anos mais velho que ela. Em 1864 nasce seu filho João Gualberto e em 1865 nasce Maria do Patrocínio. Chiquinha, de gênio forte e decidida, continua sua dedicação ao piano, compondo valsas e polcas, para desagrado do marido.
Em 1866, Chiquinha Gonzaga é obrigada pelo marido, co-proprietário de um navio e Comandante da Marinha Mercante, a acompanhá-lo no transporte de escravos, armas e soldados para a Guerra do Paraguai. Insatisfeita com a situação, pois as ordens do marido era que ela não se envolvesse com música, Chiquinha volta com o filho para a casa de seus pais, onde havia ficado sua filha Maria. Não tendo apoio da família e descobrindo que está grávida volta a viver com seu marido. Em 1867 nasce seu terceiro filho Hilário. O casamento durou pouco tempo.
Após a separação, Chiquinha passa a viver com o Engenheiro João Batista de Carvalho Júnior. Levando seu filho João Gualberto, o casal vai morar em Minas Gerais. Em 24 de agosto de 1876 nasce Alice, filha do casal. Pouco depois com ciúme do marido, Chiquinha volta para o Rio de Janeiro, com seu filho João Gualberto, deixando Alice com o pai.
Chiquinha volta a viver da música. Dava aulas de piano e obteve grande sucesso, compondo polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao mesmo tempo, juntou-se a um grupo de músicos de choro. Foi a necessidade de adaptar o som de seu piano ao gosto popular que lhe valeu a glória de se tornar a primeira compositora popular do país. O sucesso de Chiquinha Gonzaga começou em 1877, com a polca "Atraente". A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, Chiquinha resolveu se lançar no teatro de variedades. Estreou compondo a trilha da opereta de costumes "A Corte na Roça", de 1885.



Em 1899, Chiquinha conhece o músico português, João Batista Fernandes Lages, que vivia no Rio de Janeiro. Chiquinha com 52 anos e ele com apenas 16, começaram um relacionamento. Para não enfrentar o moralismo da época, Chiquinha registrou João Batista como seu filho. Viveram juntos e felizes, mas Chiquinha protegia sua privacidade.
Em 1934, aos 87 anos, Chiquinha Gonzaga escreveu a partitura da opereta "Maria". Chiquinha compôs as músicas de 77 peças teatrais, tornando-se responsável por cerca de 2.000 composições. Em 1897, todo o Brasil dançou sua estilização do corta-jaca, sob a forma de tango "Gaúcho", mais conhecido como "Corta-Jaca". Dois anos depois, compôs "Ó Abre Alas", a primeira marcha carnavalesca.
E foi cercada dessa glória que Chiquinha Gonzaga viveu em companhia de João Batista, até 28 de fevereiro de 1935, quando faleceu.



"Tenho horror ao luto e à hipocrisia."
(Chiquinha Gonzaga)

"Tive muito amor a todos os meus e os levo no coração. Que peçam por mim a Deus o perdão d'Ele por terem me feito tantas injustiças."
(Chiquinha Gonzaga)

Um ensinamento eu devo a Cristo, e é o de não julgar as pessoas: a gente nunca sabe que conluio se passou na vida delas ou mesmo até no mundo para que agissem de determinada maneira.


UMA OBSERVAÇÃO

A moça está sentada. O moço amado
Para uma contradança vai tirá-la:
— Dá-me a honra? — Pois não —  E pela sala
Ei-los a passear de braço dado.

De amor quanto protesto alambicado
Daqueles meigos corações se exala,
Té que as palmas batendo o mestre-sala,
Toma lugar o par apaixonado!

Começa a dança. A mão do moço esperta,
Bole, mexe, comprime, apalpa, aperta,
Durante uns turbulentos balancés,

E uma senhora, que não é criança,
Sentada a um canto observa que na dança
Hoje trabalham mais as mãos que os pés.

Artur Azevedo
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

eles não usam black-tie - filme exibido domingo na TVBrasil, antiga TVE do Rio de Janeiro - Bete Mendes - Gianfrancesco Guarnieri - Carlos Alberto Ricelli - Milton Gonçalves - Fernanda Montenegro - Francisco Milani



COMPASSO

Bate o martelo:
Bala-que-baque.
Faz um flagelo,
Sem contra-ataque.

Bate e não pára,
Hora após hora,
E assim prepara
Furor que chora!

Mas não estoura!
E se conforma.
O fim agoura...
Mas segue a norma.

Bate o martelo,
Cai o suor:
Contradizê-lo?...
Será pior.

Faz um flagelo:
Bala-que-baque.
Bate o martelo,
Sem contra-ataque.

Marcos Satoru Kawanami

sábado, 26 de maio de 2012

seringal - Lápis-Borracha apagando o seringal - TonhOliveira - questão do IBGE (instituto brasileiro de geografia e estatística)


SERINGAL
para um desenho de TonhOliveira

Sangra, seringueira, sangra,
que não és milho,
não és mandioca,
nem feijão.

O teu sangue não sustenta,
não é comida
a ser dada ao homem,
ao gado,
nem mesmo ao cão.

O milho, a mandioca, o feijão,
cumprem seu fado,
dão frô e fruto,
são comida pro matuto.

A seringueira se consome em vão,
ao jugo da Civilização
ou pecado original,
mercado, indústria, Ciência irracional.

A borracha sangra, tortura
aquele pau, feito gonorréia,
que seu sangrar é pus branco
descendo em perene diarréia.

Marcos Satoru Kawanami
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IBGE: Paulista come tutu à mineira, ou virada à paulista?

soneto marginal - o rádio de TonhOliveira



SONETO MARGINAL

Silvam velozes ventos; reverberam
luzentes melodias de engrenagens;
os carros saem todos das garagens;
quatrilhões de neurônios deliberam...

Gigantes colossais gusa encarceram,
e vertem a matéria das ferragens;
nas árvores germinam as serragens,
enquanto todos sonham que prosperam...

Avante!, urbe, metrópole paulista:
non ducor, duco”, diz teu bravo lema;
teu lema insubmisso, idealista!

Enquanto, fora, voga tal esquema
de progresso, barganhas e conquista:
eu, marginal, termino este poema.

Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 25 de maio de 2012

vivido a lápis - maxixe "corta jaca" de Chiquinha Gonzaga, tocado pelo conjunto musical Choronas de São Paulo


VIVIDO A LÁPIS

Minha vida no planeta
foi vivida e imaginada
sobre folhas de papel,
nas quais um lápis perneta,
contando tudo e bem nada,
conduz-me de déu em déu.

Tomei da borracha agora,
com ela me suicido
no papel, sendo apagado;
desta vida vou embora,
serei pra sempre esquecido,
que escrever não dá babado!

Assim foi que eu comecei
a me apagar no planeta...
Mas o arquivo eu já salvei,
e há uma cópia à caneta!

Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 24 de maio de 2012

contradições - ô abre alas, de Chiquinha Gonzaga



CONTRADIÇÕES

Portugal...
Lá meu passado deixei,
No chão que nunca pisei.

Não faz mal...
Mal é o mundo que pisei,
Que pisou-me e não deixei.

Frio val...
Das mentiras que aceitei,
Das verdades que inventei.

Pá de cal...
Finda tudo que sonhei,
Mal-me-quer que não plantei.

Prantinal...
Lembro tudo que não sei,
Lembro o que nunca serei.

Funeral...
Amo a morte que esperei,
Espero a mulher que amei.

Marcos Satoru Kawanami

minuto de apocalipse - ano: 1994


Foto antiga de um dos prédios em que eu
estudava quando escrevi este poema em 1994.
Em 1994, estou subindo a escada do Morro do Valongo,
onde fica o Observatório da UFRJ; quem tirou a foto foi
o maranhense Ronaldo (Bob Moon) que, dizendo querer
tornar a foto artística, balançou a mão de propósito
na hora de me fotografar! Vê se pode?

Muitos anos depois, esta escadaria foi lugar de filmagem
de uma cena do filme "Noel, poeta da vila".

MINUTO DE APOCALIPSE

Das insulanas plagas de Guanabara,
por fluidos lúgubres banhadas,
pede aos céus e ao mar clemência
o Galeão ilhado que vai a pique.
Já se vão os insolarados dias
do rude, mas feliz, contentamento;
azul mirar, ignaro entendimento
de juvenil brinquedo e alegria.

Eis que da terra fogo eclode;
a celeste artilharia seus luzeiros precipita;
não resta chão sob os pés de toda gente: —Bombardeio!
bombardeio! bombardeio!
Comprimido em tal ígneia atmosfera litigante,
nem Marte, de belicoso talante,
atura —quão menos o mortal tecido.
Céu e terra declaram guerra!

Qual bestas ancestrais anfíbias,
vagas colossais engendra,
para seu sulfúrico colapso,
a fétida e vulgívaga baía.
Vasco, vede: o mar treme;
porém são do portugueses
que tremem do mar.

Em perimetral contorno
ergue-se uma muralha apocalíptica com todo
o volume de guanabaresco lodo,
que de pronto
arrasa a carioca urbanidade.

Pouco além, senão ao mesmo instante,
um soberano Galeão renato
emerge do líquido translúcido
que ocupa o então vazio sobre-abundante.

Germinam novamente os claros dias
do absoluto, feliz contetamento;
azul, agora vero entendimento
de divinal brinquedo e alegria...

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 23 de maio de 2012

manuel carneiro bandeira - estrela da vida inteira - testamento - oração a nossa senhora da boa morte - modernismo brasileiro - o poeta que me ensinou a ser poeta - Alegria, alegria! Faça como eu, sorria: hoje o Corinthians ganhará do Vasco por 1 a 0 no Pacaembu pela Copa Libertadores da América.



TESTAMENTO

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Manuel Bandeira



ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA BOA MORTE

Fiz tantos versos a Terezinha...
Versos tão tristes, nunca se viu!
Pedi-lhe coisas. O que eu pedia
Era tão pouco! Não era glória...
Nem era amores... Nem foi dinheiro...
Pedia apenas mais alegria:
Santa Tereza nunca me ouviu!

Para outras santas voltei os olhos.
Porém as santas são impassíveis
Como as mulheres que me enganaram.
Desenganei-me das outras santas
(Pedi a muitas, rezei a tantas)
Até que um dia me apresentaram
A Santa Rita dos Impossíveis.

Fui despachado de mãos vazias!
Dei volta ao mundo, tentei a sorte.
Nem alegrias mais peço agora,
Que eu sei o avesso das alegrias.
Tudo que viesse, viria tarde!
O que na vida procurei sempre,
— Meus impossíveis de Santa Rita 

Dar-me-eis um dia, não é verdade?
Nossa Senhora da Boa Morte!

Manuel Bandeira
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terça-feira, 22 de maio de 2012

haikai da maré - mar portuguez - haikai de camões - astronautas do passado - Fernando Pessoa - livro mensagem



Haikai da Maré

Vejo, à noite, o mar:
a lua rege a maré,
não rege o luar.

Marcos Satoru Kawanami


HAIKAI DE CAMÕES

Quando estive em Goa,
percebi que vem de lá
toda mulher boa.

Marcos Satoru Kawanami



Mar portuguez

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa



ASTRONAUTAS DO PASSADO

O gigante impávido colosso
jaz contemplativo:
...é, e o que fiz de mim?

O gigante corrói-se por dentro:
Faltou-lhe a fé?
Talvez não, mas foi vil
por poder ter sido e não é
venturoso, Brasil.

Há séculos aqui aportaram
os astronautas do passado
que o bravio Atlântico singraram;
e agora Portugal, do outro lado,
chora a cantar um fado dolente
com nostalgia daquela sua gente
que com coragem sobre-humana
dilatou o mundo
plantando a cruz em cada continente.

Marcos Satoru Kawanami
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

falou sozinho


FALOU SOZINHO

Se tanto foi escrito, me é forçoso
o ofício de escrever a essa gente;
verdade seja dita expressamente:
Verdade é o Soberano Magestoso.

Palavra diluída em lacrimoso
minguado verso meu ingentemente
diante da Palavra onipresente
conduz-me de tal modo sempre ao gozo!

A Vida bem vivida e celebrada,
Verdade seja dita, é o Caminho
da história tantas vezes recontada.

Iria eu escrever sobre o carinho
plantado no meu peito a mão de fada,
mas vejo que o Amor falou sozinho!

Marcos Satoru Kawanami
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quinta-feira, 17 de maio de 2012

we? - Ói, eu sou corintiano de 3 costados, desde a minha bisavó; mas, depois do que vi em São Januário, digo-vos: Agora, quem dá a bola, é o Santos. O Santos é DE NOVO campeão, e da Libertadores! - "é a treva", diria a personagem de Isabelle Drummond naquela novela Sete Pecados, escrita por Walcyr Carrasco - "É nóis, mano!", diz o Flávio Prado batendo na veia do braço, mas, ao mesmo tempo, dando uma leve banana também...

PRIMEIRO HINO DO CORINTHIANS

WE?

Lonelyness is a so natural state
of any living matter you will find;
’cause when I was a child, now I remind
myself: I was alone, that was my hate!

I had a mother, a father, a faith,
and the true love of my sister, so kind...
come from the very equal flesh of mine,
and, yet, I was I behind the soul’s gate!

Now, where’s my faith, my sister, where am I?
in this spinning sphere which just says good bye
to teach us good bye, to teach us to pass...

As our life goes too fast, we’re lonely as
the fast spaceship that goes faster as far
it is from us, from the Origin we are!

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 16 de maio de 2012

www.cancaodoexilio.com


www.cancaodoexilio.com

Colhendo a “cinza das horas”
no meu claustro negro e frio,
já velho sem negro fio
sobre o crânio que demora

(contra o câncer que o devora)
a ceder sem glória e brio,
sem o porvir já tardio
do riso infantil que chora,

eu, o “cadáver adiado”
todo avesso a polidez
já não pensava, extasiado

em obscena vetustez,
quando fui repatriado:
— quem conversa em PORTUGUÊS?

Marcos Satoru Kawanami

domingo, 13 de maio de 2012

Dira Paes, a minha propaganda do iogurte Actívia ficou um doce de coco.


dia das mães - ser mãe - Coelho Neto


PATROCÍNIO CULTURAL



Mãe de árbitro é a única que não perdoa.

Se mamãe tivesse me tido antes, eu seria mais velho.


"É a mãe!"
(Mãe do Capitão Nascimento, com as mãos para o alto)

“Mãe é uma só.”
(Quíqueo, erudicto do futebol romano na Antigüidade Clássica)


"Se minha mãe fosse homem, eu teria dois pais."
(Flávio Prado, jornalista por esporte, e irmão gêmeo de Marco Nanini)

“Mãe é mãe, vaca é vaca.”
(Boi Bandido)

“Amor é um não foder em um vai se foder!”
(Mamãe, transcrevendo Camões para verso alexandrino)




mamãe antes do Avon Renew

mamãe depois do Avon Renew

SER MÃE

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra! 

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! 

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!

Coelho Neto *


* Coelho Neto (Henrique Maximiano C. N.), professor, político, romancista, contista, crítico, teatrólogo, memorialista e poeta, nasceu em Caxias, MA, em 21 de fevereiro de 1864, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de 1934. É o fundador da Cadeira n. 2 da Academia Brasileira de Letras, que tem como patrono Álvares de Azevedo. Cultivou praticamente todos os gêneros literários e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil. Foi amigo de juventude de Olavo Bilac, e se divertiram em uma boemia saudável, conforme a minha opinião, tendo  eu lido a biografia de Olavo Bilac escrita por Fernando Jorge.

sábado, 12 de maio de 2012

rabichola de jumento - soneto do século



SONETO DO SÉCULO
versos da fase imperfeita, dedicados ao meu avô José Barbosa de Oliveira (1907 - 1998),  que viveu o século XX

Primeiro a Física fez do universo,
que outrora foi euclidiano, curvo.
Porém, o humano senso ainda turvo
remanesceu atrozmente perverso.

Pássaros de aço transpassam os ares;
deu graça a música dos anos trinta;
mas o juvenil sangue foi a tinta
da história belicosa de pesares.

Um “Brave New World” assim foi se criando;
o mundo dividido e unificado
viu progresso inefável acelerado.

A tecnologia impõe o seu mando;
a eletrônica alcança o requinte.
Eis o turbulento século vinte!

Galeão - RJ - 1997
Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 11 de maio de 2012

atual conjuntura - gente humana - samba do crioulo doido - sérgio porto - stanislaw ponte preta



O creoullo era tarimbado em samba enredo. Tinha feito samba sobre o Descobrimento, sobre a Bahia, o Folclore, a Inconfidência... Mas pediram para ele fazer um samba sobre a "atual conjuntura", ele endoidou, e saiu isto aqui:

SAMBA DO CRIOULO DOIDO

Foi em Diamantina,
Onde nasceu JK,
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá.
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes,
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes.

Lá iá lá iá lá ia,
O bode que deu vou te contar.
Lá iá lá iá lá iá,
O bode que deu vou te contar.

Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo,
E se elegeu Pedro II.
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo,
E falou com Anchieta.
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro,
E acabou com a falseta.

Da união deles dois
Ficou resolvida a questão,
E foi proclamada a escravidão,
E foi proclamada a escravidão.
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória.
Dona Leopoldina virou trem,
E Dom Pedro é uma estação também.

O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou.

Sérgio Porto, cujo pseudônimo era Stanislaw Ponte Preta

quinta-feira, 10 de maio de 2012

folclore do pará - peguei um ita no norte



FOLCLORE DO PARÁ
- versos alexandrinos -

Mãe D’água de Belém, sereia paraense,
um folclore do Além perdido na floresta!
Folclore, Mário, é risonho o que te resta
depois daquele herói que até a morte vence!

Folclore, Marcos, é vento o que te pertence
sem caráter nenhum; contudo, é pedra esta
mostra de solidez, a qual cinzel reqüesta
até virar Pietà no Louvre amazonense.

Mãe D’água canta, fala à toa, engana agente
até da KGB, e vai comendo, vai,
tal indiazinha vai assim comendo a gente...

É... Disse cunhantã lesa que sabe mais
patuá que Pajé: —Fica esperto, maninho,
mulher bonita dá sorte ao azar mesquinho!

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 9 de maio de 2012

la mer de la vie - C'est la vie... - ¡Yo también la vi, pero soy caballero, y no dijo nada!


Capitão Dario - vulgo Rei da Pérsia

la mer

Dario, viajor, como todos, para além...
anônimo ilustre amigo
na multidão dos séculos perdido
não quedes triste; também
viajas comigo

com todos num mar desconhecido
que a mapear seguimos
nesta nau também pouco conhecida
rumo àquela sorte
desta vida: morte

mas somos fortes
e a vida é dura
tão somente
para quem é mole...

marcos satoru kawanami

sexta-feira, 4 de maio de 2012

whateverismo - Falcão: "esculhambação sim, frescura não!" - ecologia - soneto ecologista - globo natureza - desmatamento na amazônia - efeito estufa - monóxido de carbono - corrupção - políticos corruptos - empresários corruptos - corruptores - corrupção ativa e corrupção passiva - propina de madeireiros - madeireiras clandestinas traficando madeira de lei - tráfico de madeira de lei - policiais subornados - fiscais do ibama aceitando suborno - Ascensão do Capital em detrimento da Soberania Nacional: Neo-Feudalismo (Fodeu).


WHATEVERISMO

De que valeu em tudo a eficiência
da técnica na sua glória humana,
se foi vendida a preço de banana
a mesma humana natural decência?

Ou antes, que valeu criar ciência,
da qual um grêmio tolo se ufana,
se a mais subida idéia é sempre insana
havendo um certo pomo por pendência?

Resulta um mundo triste decaído
a espera do seu fim como quem quer:
cínico suicida sim, fingido.

Sentimos: tanto faz o que vier;
após o Paraíso já perdido,
resta-nos encontrá-lo onde estiver.

Marcos Satoru Kawanami
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Explicação didática do soneto acima para os personagens do folclore brasileiro chamados torcedor do Fluminense, torcedor do Grêmio, torcedor do São Paulo, gaúcho-macho, loira-burra e intelectual, um bicho que vê as coisas por outro ângulo, o ângulo do terceiro-olho, e "dê no que der":