quinta-feira, 26 de abril de 2012

sombria dama


SOMBRIA DAMA

Há uma dama que muito estimo, mas,
ao me ver, ela sempre se desvia
velando o rosto em máscara sombria,
quedando eu de falar-lhe não capaz.

Às vezes lembro, ainda era rapaz
quando versos a ela oferecia,
talvez seja a maldita Poesia
razão desta ojeriza pertinaz.

Grande desgosto é tê-la desgostado;
porém, se errar é dado ao ser humano,
é justo, pois, que eu seja perdoado.

De modo algum declaro em tom profano:
quarenta dias Cristo foi tentado,
eu por ela o serei quarenta anos.

Marcos Satoru Kawanami