sexta-feira, 13 de abril de 2012

poesia, partícula expletiva - ano: 1993



POESIA,
partícula expletiva

Mundos em sucessão
muitos, muitos...
cada um diverso do precedente
outros conceitos, nova concepção
todo instante uma verdade
em número imensurável
arranjos
simultaneamente
realidades
distintas semelhantes cambiantes particulares
por causa dos mundos
concupiscente
conjugação.
Assim o "lá me faz bem",
assim o "lá não suporto",
o "que felicidades!",
e aquela situação exasperante
todo instante
um parecer
mundos em sucessão
o que é vai já deixando de ser
umas pessoas –tudo bem
outro arranjo –também
o mesmo arranjo e cai mal
bom-ruim-tanto faz
–e Poesia onde cai?
Poesia e seus versos
luta, pro-
cura por
cura
a propor
em luta:
pareceres? reflexões?
indiferença dos céticos
herméticos ven-
cidos porém!
Poesia de alguns
compunção, talvez
con-
solação
não
a troça de outrem
troça do próprio poeta
janela
e cai
Poesia em todo mundo em ausência
plurisciência
trivi-
al tanto faz
pois toda vida
janela
e cada janela um mundo
muitos, muitos...
e o Mundo tantos mundos
em conurbação de mentes
dementes
nos põe
em social conjugação
e eu e meu visinho e eu
e nosso visinho ele
de um mundo terceiro
de sua janela terceiro mun-
dista assim como eu assim como tu
desde manhã percorre mundos a fio
(pela vida que vê de dentro
pela vida que vive fora)
no gesto mais efêmero
aos furtivos olhares
nas palavras soltas
no discurso grave
em tagarelices
tristes felizes
a cada mais volátil instante
ante
da vida as implicativas
combinações
de vida de mundos-instantes
cambiantes
tudo sendo instantâneo
tudo particular
     –Poesia, partícula expletiva.

Marcos Satoru Kawanami