sábado, 28 de abril de 2012

mensagem de amor - l'amitié - Françoise Hardy


MENSAGEM DE AMOR

Os rios nascem no alto das montanhas. Nascem fracos, discretos, porém puros e esplêndidos. Descem seus caminhos com energia. Às vezes encontram uma pedra no caminho, mas, logo descobrem que podem rodeá-la e continuarem o percurso. Quando já não são mais simples nascentes, mas corredeiras, brincam de saltar de altitudes e formarem cachoeiras. E se tornam rios, pomposos, lindos transportam pessoas, carregam a vida dentro deles. E quando aquela nascente frágil que virou um rio robusto encontra com o mar, ele simplesmente some, se mistura à grandiosidade dele. Na verdade, ele já foi um pouco de mar.
Assim é a vida: Deus tira um pedacinho dele e dá para um casal que se ama. Nasce uma criança frágil, que cresce brincando. Quando maior, arrisca a vida por emoção, buscando algo para explicar a própria existência. Depois cresce, forma família, filhos. Aí, percebe que é feliz e morre. Volta para Deus e junta-se a ele.
Pois assim como a nascente sempre procurou o mar, o homem procura a paz no amor. O amor de Deus, em sua imensidão assim como a imensidão do mar.

Eduardo André Albuquerque de Lima (1976-2005), escrito por ele quando ele cursava o Ensino Médio.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

soneto ao cachorro


I'm not dog no.
SONETO AO CACHORRO

É o Cão, do Homem, seu melhor amigo,
conforme reza o velho e bom ditado;
quem nunca nesta vida foi amado
dará valor a tudo quanto digo.

O Cão nem mesmo tem aquele umbigo
egoísta pra ser idolatrado,
enquanto o ser humano, do pecado
escravo, do egoísmo herda castigo.

Xingando uma mulher, dizem: “Cadela!”;
ofensa muito rude para ela,
a Cadela, mulher casta do Cão.

Um bicho que, sem nem mesmo ter mão,
o asseio preza, nos deixando à míngua
quando se limpa com a própria língua!

Marcos Satoru Kawanami




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"Eu posso até voltar atrás, pra frente é que eu não volto."
(Falcão, cantor e compositor cearense)
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Soneto louCÃO

au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!
uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaauuuuu!
au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!
uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaauuuuu!

uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaauuuuu!
au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!
uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaauuuuu!
au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!

au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!
uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaauuuuu!
au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!

uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaauuuuu!
au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!au!
uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaauuuuu!

byTONHO


Ao Boone, meu ‘yorkshire’.

***

Di CRÓ em CRÓ
foi-se com a "Sra da foice" o último malandro!

Dicró falece vítima de enfarto - o bingo da sogra - soneto à sogra - "Eu amo a sogra da minha mulher." (Dicró)




O BINGO DA SOGRA

Vou fazer um bingo
Lá na casa da vovó
O premio é minha sogra
Sai numa pedra só
Quem ganhou tem que levar
Leva essa droga pra lá

Se você não ganhou nada
Não fique preocupado
Porque na segunda pedra
Você leva meu cunhado
Quem ganhou tem que levar
Leva essa droga pra lá

Na terceira pedra
O prêmio de consolação
Leva um criolo bicha
E uma branca sapatão
Quem ganhou tem que levar
Leva essa droga pra lá

A cartela é de graça
Podem levar de montão
Eu entrego o premio em casa
não quero é devolução
Se acaso der empate
Ninguém fique com receio
A gente arranja um serrote
E parte a véia no meio
Quem ganhou tem que levar
Leva essa droga pra lá

Dicró


SONETO À SOGRA

Quem ama a mãe da esposa é destinado
a ter segunda mãe no casamento,
cujo desvelo afável faz momentos
de eternidade, eternos, conjugados.

Caminha o marido lado a lado
com os pais do querido complemento;
quem quer dessa família estar isento,
não pode ter seu próprio clã honrado.

Ser mãe de um ser amado é dom divino,
se santo é o próprio Amor que nos dá a Vida
que vem da Virgem Mãe do Céu querida.

Portanto, aqui redijo um ledo hino,
se tal subido lastro um genro logra
expondo como é bom amar a sogra.

Marcos Satoru Kawanami

sombria dama


SOMBRIA DAMA

Há uma dama que muito estimo, mas,
ao me ver, ela sempre se desvia
velando o rosto em máscara sombria,
quedando eu de falar-lhe não capaz.

Às vezes lembro, ainda era rapaz
quando versos a ela oferecia,
talvez seja a maldita Poesia
razão desta ojeriza pertinaz.

Grande desgosto é tê-la desgostado;
porém, se errar é dado ao ser humano,
é justo, pois, que eu seja perdoado.

De modo algum declaro em tom profano:
quarenta dias Cristo foi tentado,
eu por ela o serei quarenta anos.

Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 25 de abril de 2012

DNA sintético - synthetic DNA - vontade absoluta e manifestações convencionais da mesma vontade



No princípio, era o Verbo...

            O ato é convencional, a vontade é absoluta. A mesma vontade pode se manifestar diferentemente em atos diversos. Pois todo ato depende da matéria, e resulta de uma vontade. E, se todo ato resulta de uma vontade, no encadeamento de atos e vontades fisiológicas cerebrais, a Origem é uma Vontade sem ato precedente (vontade alheia a qualquer convenção material), que desencadeou todos os atos e vontades fisiológicas cerebrais; portanto, essa Vontade não pode ter origem fisiológica cerebral: a alma do índio botocudo.
            Do contrário, o funcionamento cerebral seria algo sem começo, que sempre existiu materialmente? Mas a Matéria existe a partir de quê? Mesmo que a Matéria sempre tenha existido, os atos da Matéria, à semelhança da fisiologia cerebral, têm origem numa Vontade; senão o Universo seria um moto-perpétuo, que é um conceito do Mundo Ideal já exaustivamente descartado do Mundo Material. E, mesmo que o Universo fosse um moto-perpétuo, teria entrado em andamento sem uma causa, sem algo precedente ao Universo que o colocasse em andamento? Teria, então, a matéria, e seu movimento também, se auto criado do nada?
            “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe.”, diz o capítulo 1 do evangelho de São João.

Nhandeara, 27 de novembro de 2010
Marcos Satoru Kawanami
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Neste ano de 2012, o Jornal Nacional anunciou a criação de um tipo de DNA sintético com estrutura diferente do natural, levantando novamente a possibilidade de seres vivos alheios ao nosso planeta, o que reforça a tese de que a vontade é absoluta, e as manifestações de uma mesma vontade são convencionais. (25 de abril de 2012)

domingo, 22 de abril de 2012

1º de maio: dia do trabalho - vai trabalhar vagabundo: filme com Hugo Carvana lançado em 1973, no elenco: Wilson Grey, Zezé Mota, Otávio Augusto, Paulo Cesar Pereio, Odete Lara, Nelson Xavier - canção de Chico Buarque de Hollanda - trabaja: poema concreto - soneto da preguiça de Álvares de Azevedo - soneto preguicista de Glauco Mattoso



SONETO DA PREGUIÇA

Ao sol do meio-dia eu vi dormindo
Na calçada da rua um marinheiro,
Roncava a todo o pano o tal brejeiro
Do vinho nos vapores se expandindo!

Além um Espanhol eu vi sorrindo,
Saboreando um cigarro feiticeiro,
Enchia de fumaça o quarto inteiro...
Parecia de gosto se esvaindo!

Mais longe estava um pobretão careca
De uma esquina lodosa no retiro
Enlevado tocando uma rabeca!

Venturosa indolência! não deliro
Se morro de preguiça... o mais é seca!
Desta vida o que mais vale um suspiro?

Álvares de Azevedo


SONETO PREGUICISTA

Não basta a ditadura da injustiça
e vem a ditadura do magriça!

Caímos no regime do exercício,
egressos do regime militar.
Censuram a poltrona como vício!

Dever, serão, cobrança, obrigação.
Mal temos um tempinho de lazer,
e os nazis o nariz querem meter,
impondo-nos o esporte e a malhação.

O tempo é precioso. Desperdice-o!
Senão a gente ainda vai parar
num eito, num presídio ou num hospício.

Resista! Durma! Assuma esta premissa:
A luta tem um símbolo: PREGUIÇA!

Glauco Mattoso




VAI TRABALHAR VAGABUNDO

Vai trabalhar, vagabundo
Vai trabalhar, criatura
Deus permite a todo mundo
Uma loucura
Passa o domingo em familia
Segunda-feira
beleza
Embarca com alegria
Na correnteza

Prepara o teu documento
Carimba o teu coração
Não perde nem um momento
Perde a razão
Pode esquecer a mulata
Pode esquecer o bilhar
Pode apertar a gravata
Vai te enforcar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Vê se não dorme no ponto
Reúne as economias
Perde os três contos no conto
Da loteria
Passa o domingo no mangue
Segunda-feira vazia
Ganha no banco de sangue
Pra mais um dia

Cuidado com o viaduto
Cuidado com o avião
Não perde mais um minuto
Perde a questão
Tenta pensar no futuro
No escuro tenta pensar
Vai renovar teu seguro
Vai caducar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Passa o domingo sozinho
Segunda-feira a desgraça
Sem pai nem mãe, sem vizinho
Em plena praça
Vai terminar moribundo
Com um pouco de paciência
No fim da fila do fundo
Da previdência
Parte tranquilo, ó irmão
Descansa na paz de Deus
Deixaste casa e pensão
Só para os teus
A criançada chorando
Tua mulher vai suar
Pra botar outro malandro
No teu lugar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai te enforcar
Vai caducar
Vai trabalhar
Vai trabalhar
Vai trabalhar

Chico Buarque

sexta-feira, 20 de abril de 2012

pastoril - pela primeira vez



Pela Primeira Vez

Pela primeira vez na vida
Sou obrigado a confessar que amo alguém.
Chorei quando ela deu a despedida;
Ela, me vendo a chorar, chorou também.
Meu Deus, faça de mim o que quiser,
Mas não me faça perder
O amor desta mulher.

Na estação, na hora de partir o trem,
Ela, me vendo a chorar, chorou também.
Depois fiquei olhando a janela,
Até sumir numa curva o lenço dela.

Se meu amor não regressar, irei também
À estação na hora de partir o trem.
E nunca mais assisto uma partida
Pra não lembrar mais daquela despedida!

Noel Rosa



PASTORIL

Tristeza vai,
tristeza vem;
eu vou cantando,
você também.

Nos damos mal,
nos damos bem;
vou oscilando,
você também.

A vida rude,
beleza tem;
aos olhos meus,
você também.

Junto a você,
eu sou alguém;
junto de mim,
você também.

Eu encontrei
meu algo além;
estou amando,
você também.

Entre nós dois
cabe ninguém;
eu sou amado,
você também...

Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 17 de abril de 2012

um osciloscópio por ti gela - modern poetry - teoria literária - fiz que fui, mas não fui, acabei fondo - figura de linguagem - retórica - nike: just do it - sinestesia sem anestesia



UM OSCILOSCÓPIO POR TI GELA

A tua voz, para sempre, gravada
em minhas retinas,
é a imortal imagem tua ecoando
em minhas trompas de eustáquio.

Pois tamanha
confusão mental
de profusão colateral
tu desencadeias
no meu osciloscópio redundante,
que pleonasmo!

Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 13 de abril de 2012

poesia, partícula expletiva - ano: 1993



POESIA,
partícula expletiva

Mundos em sucessão
muitos, muitos...
cada um diverso do precedente
outros conceitos, nova concepção
todo instante uma verdade
em número imensurável
arranjos
simultaneamente
realidades
distintas semelhantes cambiantes particulares
por causa dos mundos
concupiscente
conjugação.
Assim o "lá me faz bem",
assim o "lá não suporto",
o "que felicidades!",
e aquela situação exasperante
todo instante
um parecer
mundos em sucessão
o que é vai já deixando de ser
umas pessoas –tudo bem
outro arranjo –também
o mesmo arranjo e cai mal
bom-ruim-tanto faz
–e Poesia onde cai?
Poesia e seus versos
luta, pro-
cura por
cura
a propor
em luta:
pareceres? reflexões?
indiferença dos céticos
herméticos ven-
cidos porém!
Poesia de alguns
compunção, talvez
con-
solação
não
a troça de outrem
troça do próprio poeta
janela
e cai
Poesia em todo mundo em ausência
plurisciência
trivi-
al tanto faz
pois toda vida
janela
e cada janela um mundo
muitos, muitos...
e o Mundo tantos mundos
em conurbação de mentes
dementes
nos põe
em social conjugação
e eu e meu visinho e eu
e nosso visinho ele
de um mundo terceiro
de sua janela terceiro mun-
dista assim como eu assim como tu
desde manhã percorre mundos a fio
(pela vida que vê de dentro
pela vida que vive fora)
no gesto mais efêmero
aos furtivos olhares
nas palavras soltas
no discurso grave
em tagarelices
tristes felizes
a cada mais volátil instante
ante
da vida as implicativas
combinações
de vida de mundos-instantes
cambiantes
tudo sendo instantâneo
tudo particular
     –Poesia, partícula expletiva.

Marcos Satoru Kawanami

domingo, 8 de abril de 2012

alma e moral



ALMA E MORAL

            Ao se observar a matéria, notamos facilmente que esta é animada, movendo-se macro e microscopicamente amiúde. Donde vem a questão do que animaria a matéria, o que seria e como seria a sua alma. Um aparato que exemplifica o ânimo da matéria pode ser o da fileira de dominós derrubando uns aos outros em seqüência: A matéria é animada pela lei de causa e efeito.
            A consciência e vontade própria, que são capazes de transgredir a lei de causa e efeito da matéria bruta, desassociam a alma do vivente da matéria. Senão agiríamos sem saber, sem autocrítica, agiríamos como uma reação química ou uma pedra caindo sem dar conta do que estávamos fazendo, à semelhança de um protozoário.
            Quando surgem a piedade, a condolência, o Amor enfim, a alma desassociada da matéria é Sentimento, é a Boa-Vontade, é o Verbo: imagem e semelhança de Deus.
            A ética racionaliza causa e efeito de modo a regrar comportamentos em proveito do conjunto e do indivíduo, sem altruísmo, sem santificação, sem sentimento. Reduz o vivente a matéria bruta, ou, quando muito, a uma fera domada.
            Já a moral considera a alma dissociada da matéria, percebe a sutileza que passa batida aos olhares brutos, reconhece que o vivente não é um efeito dominó sem consciência. É a moral, e não a ética, que leva Cristo a se entregar exangue na cruz, é a moral que faz os mártires de todos os tempos e civilizações. É da moral que o Diabo tem medo, porque a moral não se submete à matéria, ao poder econômico e ao poder político. É a moral que contraria os preceitos dos escribas e fariseus. É a moral que não se corrompe por dinheiro nem retrocede por medo da morte e da dor.

Nhandeara, 8 de abril de 2012
Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 4 de abril de 2012

melô do marinheiro - os paralamas do sucesso


Melô Do Marinheiro
(Os Paralamas do Sucesso)

Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei pelo cano
Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei por engano...(2x)

Aceitei, me engajei
Fui conhecer a embarcação
A popa e o convés
A proa e o timão
Tudo bem bonito
Prá chamar a atenção
Foi quando eu percebi
Um balde d'água e sabão
Tá vendo essa sujeira
Bem debaixo dos seus pés?
Pois deixa de moleza
E vai lavando esse convés...

Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei pelo cano
Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei por engano...

Quando eu dei por mim
Eu já estava em alto-mar
Sem a menor chance
Nem maneira de voltar
Pensei que era moleza
Mas foi pura ilusão
Conhecer o mundo inteiro
Sem gastar nenhum tostão...

Liverpool, Baltimore
Bangkok e Japão
E eu aqui descascando
Batata no porão
Liverpool, Baltimore
Bangkok e Japão
E eu aqui descascando
Batata...

Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei pelo cano
Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei por engano...

Liverpool, Baltimore
Bangkok e Japão
E eu aqui descascando
Batata no porão...(2x)

Pensei que era moleza
Mas foi pura ilusão
Conhecer o mundo inteiro
Sem gastar nenhum tostão...(2x)

Oh! Marinheiro, Marinheiro
(Marinheiro só!)
Foi quem te ensinou a nadar
Ou foi o tombo do navio
Ou foi o balanço do mar...(2x)

Tá vendo essa sujeira
Bem debaixo dos seus pés?
Pois deixa de moleza
E vai lavando esse convés...

Pensei que era moleza
Mas foi pura ilusão
Conhecer o mundo inteiro
Sem gastar nenhum tostão...

Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei pelo cano
Entrei de gaiato num navio
Oh!
Entrei, entrei
Entrei por engano...(3x)