segunda-feira, 19 de março de 2012

soneto de outrora - óleo sobre tela feito no ano de 2004, a partir de desenho feito a lápis durante o Ensino Médio, por causa de um trabalho de ensino religioso a respeito de concepção, no ano de 1992



SONETO DE OUTRORA

Não vale mais valer o que valia
eu mesmo quando amava Carolina,
não vale mais um beijo de menina
de quando para sempre amá-la-ia...

Não vale ter amor que não se cria,
não valho de um poeta uma bonina,
não vale-me esta insônia que amofina
e inspira dó ou riso ou ironia:

“Que fazes, ó rapaz, a estas horas
ainda vigoroso em teu labor
com tal gosto que, em vez de suar, choras?”

Ao que eu, transido de solene horror,
respondo com a frase das outroras:
ao bardo cabe o amar, mas não o amor.

Marcos Satoru Kawanami