quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

soneto do absurdo - mecânica celeste - teoria do caos



SONETO DO ABSURDO

Não inventam a máquina do verso
porquanto eu já existo e a dispenso,
mas valho-me da rima num pretenso
conluio do Parnaso a ser emerso.

Aniquilado em vão, e em vão disperso,
regrei na Redenção o que ora penso
a fim de dar sentido ao passo intenso
das marchas orbitais deste universo.

E tanto tenho escrito, que repito,
e tanto já repito, que me aturdo
no drama da batalha em que me agito.

Quem tem entendimento, seja surdo
ou cego: escuta a luz, enxerga o grito!,
que, não havendo o Verbo, tem-se absurdo.

Marcos Satoru Kawanami

9 comentários :

Gabriela disse...

I think that Susan is not eating by the disease, she already feels better and eat better and I dropped a stone from my heart :)

Gabriela disse...

"Who has the intellect, is deaf
or blind: listen to the light, he sees the call,
that without a word, it was absurd."

Well?

Marcos Satoru Kawanami disse...

Gabriela,

The translation made by machine does not make sense.

What i was saying is that:

For those who have comprehension, even being deaf
or blind: they hear the light, they see the call!,
because without the Verb, we have absurd.

P.S.: The Verb is God.
To hear the light and see the call is a proposital inversion, do to enhense the strength of expresion.

=)
Marcos

Adriana Godoy disse...

Faz-se o verso..quem o poeta ou, para quem crê, a voz divina?

Beijo

Marcos Satoru Kawanami disse...

Adriana,

Eu estava sem idéia, e, nos quartetos, apenas me preocupei com a forma: métrica, rima, prosódia e estrofação.

Nos tercetos, cuidei de fazer um esquema rímico que finalizasse com a palavra absurdo.

E, quando li o soneto, só então percebi do que a disciplina formal é capaz: Criou-se uma obra com uma idéia sem que partisse de idéia alguma, e em um texto coeso.

BjóKawanami

Cecília Romeu disse...

Marcos,
o que é o Verbo se não a sinestesia da alma em forma de letras?
Beijos!

PS.: Comentei alguns posts anteriores, dá uma olhadinha.

Paulo Vitor Cruz disse...

o verbo é na verdade uma grande farsa dos que se opõem ao sistema vigente para subverter a ordem social

Jaime Guimarães disse...

Absurda é a relação do homem com este mundo, já nos diria Camus. Assim o Verbo também é um absurdo.

Vai saber...

BAR DO BARDO disse...

Verbo é o substantivo alfômega?