quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

soneto de mais tardes - rimas raras em ola - rimas ricas em ola



SONETO DE MAIS TARDES

Quando for para amar, quero a criola
cabocla mesmo, índia do serrado;
meu peito aberto franco despojado
anseia dentro em si aquela pô-la.

Em um cotejo ao léu, parece tola
qualquer moça ou mulher que tenho amado,
se da cabocla ponho lado a lado,
alçando vôo, suave pomba-rola...

A criola cabocla brasileira
cativa do desdém a segurança,
driblando assim a concorrência inteira.

E eu gosto porque gosto da lembrança
da nossa breve tarde prazenteira,
que guardo de mais tardes esperança.

Marcos Satoru Kawanami
...
Trilha Sonora: http://blip.fm/mskawanami

2 comentários :

Jaime Guimarães disse...

hehehe! Muito boa a lenda da Piroga de Cristal. Eu só não digo que vira pagodão ou funk batidão hoje por tem muitas palavras difíceis como "estabanada" e "pulverizar" - sacumê, né, as coisas hoje em dia estão ao nível "nossa, nossa, ai, ai, delícia, se eu te pego, ai ai" ( não é pornô, é TELÓ, Michel)

Ah, índia...seus cabelos...índia!

=)

Marcos Satoru Kawanami disse...

Jaime,

Opa, pois é!

Na América Latina, os descendentes de espanhóis nascidos aqui eram chamados de criolos na era colonial. Então, foi nesse sentido que eu chamei a nós, caboclos da terra, de criolo, no caso feminino do soneto em questão: criola cabocla, mescla de índia e branca; e também a cafusa: mescla de índia e negra; a mulata: mescla de negra e branca; e a crilola síntese: mescla de negra e índia e branca - que vem a ser o meu caso, com o acréscimo ainda do japonês.

=D
Satoru