SONETA!
Soneto aqui, soneto lá, soneto
a toda hora para a Musa bela,
que é bela, e de tão bela até banguela
o besta do Poeta... ah!, não me meto.
Porém, me inquieto ao vê-lo sempre inquieto
entre papéis a esmo; e, da tigela,
toda comida volta pra panela
—“café é gasolina”— eis seu(?) decreto.
Poetas são estranhos entre a gente;
eu não me dou com gente de poeta,
nem tentam demonstrar cartaz decente...
Depois, inútil reclamar se veta
da Musa o pai namoro abertamente;
o palhaço, porém, aqui, soneta...
Marcos Satoru Kawanami
