SEMPRE APENAS
O que eu amava era o próprio Amor,
e eu não sabia, e ia procurando
em tudo quanto ia assim amando,
e sempre assim achando a rima dor.
Então, vejamos, põe zelo, leitor:
difuso guia, ao cego mais cegando,
fazia eu de mim mesmo sempre e quando
metáforas tirava de uma flor...
Agora, sendo finda a primavera
atípica e hostil dos anos meus,
ameno é o verão por sobre a terra.
Entendo a busca, a qual então se deu.
e pela qual o errante tanto erra
amando, em tudo, sempre apenas Deus.
Marcos Satoru Kawanami
