quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Deus e o Diabo no Itaquerão - corinthians x palmeiras


Deus e o Diabo no Itaquerão
- uma crônica corintiana -

            Eu desci do Metrô, e comecei a subir a escada quando brotaram luzes das minhas calças; devia ser coisa do Metrô, sempre tem luz percorrendo a gente em São Paulo; mas daí passei a caminhar na passarela aberta, e as luzes das calças eram mais fortes que a claridade solar, raciocinei profundamente: Fodeu.
            Uma nuvem adamastórica se formou ao longe, e veio célere parar juntinho da passarela. Jesus Cristo caminhou em cima da nuvem até o corrimão da passarela, saltou-o feito um atleta, e veio me encarar:
          — É hoje, misinfio! — disse-me o Filho de Deus.
         — Ecco, agora entendi estas luzes saindo por tudo quanto é buraco de mim: será que eu sou o diabo? Mas tu viste bem que, nascendo de mulher e sendo homem como tu o fizeste, eu fui muito obediente a Deus...
        — Né isso não, seu Zé Mané! — exclamou o Cristo, abraçando-me num arroxo forte, e me dando aquele beijo, reportando-me à história antiga que me deixou cabreiro...
            Falou para a gente pegar o Metrô, que estava tendo jogo no Itaquerão: Corinthians e Palmeiras.
            Chegando em Itaquera, estava tudo lindo, as pessoas eram anjos:
         — É o Paraíso...
        — Ô, meu, Paraíso é outra estação; entra logo que vai fechar. — advertiu-me Jesus.
            Começou a partida, jogo normal, mas Jesus falou displicente:
         — Ó, tá vendo isso aí, é tua Teologia das Probabilidades; cê não disse que o mal é sempre intencional, e que o aleatório é divino? Um jogo de futebol é um evento aleatório com inúmeras variáveis e que dura 90 minutos, ponha aleatório nisso! Se o Corinthians vencer, estabeleço já o Reino de Deus; se o Palmeiras vencer, o quebra-pau vai ser tamanho, que a Teoria do Caos entra em cena, e, numa onda de violência efeito dominó, começa a Guerra Nuclear.
            — Vai, Corinthians, vai! — torci.
          — Agora é vai? Você é palmeirense desde pequenininho. Lembra do Evangelho?, diabo é porco. Deus é Fiel...
          — Corinthians! Corinthians! Corinthians! — continuou torcendo o diabo com o cu na mão, e muito amigo de Deus por fim.
           O jogo acabou empatado.

Nhandeara, 28 de dezembro de 2011
Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Jesus Alegria dos Homens - Johann Sebastian Bach - variações brasileiras de Marcos Satoru Kawanami - Eu ofereço aos meus amigos como o que posso dar de presente de Natal, produto de minhas mãos.

Marcos - evangelista profano


Baden Powell, que tive o privilégio de conhecer ainda vivo na Lapa, toca abaixo a versão original e completa para violão:


Baden, diabo do Céu

Som melhor:


Raíssa Amaral - paulista de Piracicaba

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

inté

Terraço do Café em Arles à Noite, 1888 - Vincent Van Gogh


INTÉ

Deus, para não ser só, fez-se Trindade;
e tanto de Amor tinha guardado,
que ao lavor de um teatro planejado
em Redenção ergueu à Humanidade...

Eu, por viver tão só em toda idade,
não tenho nem ao menos um cajado
para desfalescer morto escorado,
talvez esteja falho da Vontade.

Vontade que do Caos faz engrenagem;
palavra, sopro, amor de toda gente,
convívio, comunhão, camaradagem.

Mas eu, que amigo sou de um indigente,
amigo não serei de quem não é:
—Não desça do vagão do trem, inté!

Nhandeara, 22 de dezembro de 2011
Marcos Satoru Kawanami
...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Na memória só oque amo! - o poema mais belo de minha vida que eu jamais escreverei

"A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu;
e ela não perde o que merece ser salvo."Eduardo Galeano
foto(de celular) e criação Anna Gonçalez

Na memória só oque amo!

Os dias tem passado como a chuva que cai, sem muita ordem, sem muito sentido, ela obedece a lei (da gravidade), ela permeia coisas e lugares que ela gostaria de visitar por mais tempo, mas não é permitido...ela tem que correr..A chuva!

Não é sempre bem vinda...a chuva, mas ela vem...por que nem todo bem é necessário, e nem todo mal é ruim!

A vida é uma charada, um labirinto, as vezes vc se acha, as vezes (quase sempre) vc se perde.

Nem os mais espertos sabem oque vai acontecer ao virar a esquina, tudo pode mudar, mas não muda!

A vida se apresenta, vc convida ela pra entrar....ela entra faz festa e depois parte!

Daí fica a força de viver ,a vida fora dela, sem ela....só comigo!

Covardia é convidar pra dançar e não entrar na dança!

O Amor é a coragem de um e a covardia de outro!

As ruas são um caminho mas não levam a lugar nenhum...sem mapas são só ruas!

Quisera poder acreditar em  outras vidas, para que tivéssemos o consolo de saber que reencontrar-se seria apenas uma questão de tempo ou de vidas!

Queria poder me sentir em casa novamente, fora num abraço, num beijo ou num lugar!

Me perdi de mim, dos lugares, das pessoas...

Perdi muito que nunca tive!

as vezes quase sempre eu tinha vontade de chorar, já não dá pra chorar
 ...

mas mesmo assim de vez em quando eu choro!

porque de verdade na memória eu amo demais!

as lições de que o amor é um dar sem querer nada em troca, aprendí sem receber!

estou vivente...estarei amante....espero não ficar demente!

E se ficar que na memória permaneça só oque amo!

Anna Gonçalez
...
Tive a felicidade de conhecer Anna em minha infância, a brincar na casa do meu querido amigo Chiquinho, seu irmão.

AGNÓSTICA DE ITAQUERA



AGNÓSTICA DE ITAQUERA
(paráfrase ao samba “Três Apitos” de Noel Rosa)

Quando o Metrô vai chegando em Itaquera,
a estação é sempre primavera
pois me lembro de você.
Mas você anda sem dúvida bem zangada,
e está interessada
em fingir que não me vê.

Eu, da janela, vejo um estádio se erguendo,
mas cá dentro vejo o mundo estremecendo,
e você sabe por que.
Mas você não sabe que nem artista lhe iguala
quando assisto à novela na sala,
seu nome brilha na TV?

Você, no inverno, sem meias vai para a escola,
nem pro frio você dá bola,
agnóstica em nada crê.
Mas pode crer que, se o Itaquerão é belo,
cantando isto ao violoncelo,
só é belo por você!

Nhandeara, 20 de dezembro de 2011
Marcos Satoru Kawanami

fuck this planet rock and roll!



FUCK THIS PLANET ROCK AND ROLL!

Of course, for me, this night will never end. On land, folk have to swallow a sunrise after dawn; since childhood, i used myself to contemplate the world here from above, understand the picture and not only a dot on the picture, fake to be fool to speak to foolish people and not harm them showing their ignorance like a strike, but making fools believe they discovered truth by themselves...
But all folks from my place of soul do that, unless the arrogant ones that sometimes are dropped in Germany(?) haha, just a joke. Friar Clemente Kesselmeier was a german friend of mine, and he used to be very humble.
Marcos Satoru Kawanami and Clemente Kesselmeier
      For those who have Understanding, the uncomprehensible is obvious; for those who don’t, the voice of the people is the voice to be followed: “Crucify!”.
“I am the good shepherd.”, said the one that was crucified. We are not the shepherd, for our grace and goodness we are guided by him, and look how much easy is to be guided than the opposite. Why some persons want to be shepherd?
What i had to say did not have to make sense this night, i wasn’t going to write nothing of this, i wanted to write a nonsense but now it’s making sense. Here comes the junk writing:
For more than 9 days i am coughing, and spitting blood some times, blood got out of my lungs for 5 times like portions of sashimi. At the hospital, the doctor only inoculated an injection for fever, and all these days i am taking lots of tablets for fever. Tomorrow is my return to the doctor, i have to tell him: the federal government treats tuberculosis free of charge, and i obviously have the disease.
I don’t want the cure! I wanna die you fucking World of shit, you bunch of ass holes! You know what?: If i were less humble, arrogant folk would think i were less arrogant.
People say i only listen to Samba, but i have ever been much more Rock and Roll then who say that are Rock and Roll. My clothes were humble, given free, i don’t use to buy clothes like these Rock people. I slept on the street when housemates locked me out of our house. In this same student house there was no washing machine, so i washed all my clothes on my hands while the other students payed a misery for pour women to do the job also without washing machine, and after class what music did they hear?, too loud and i had to study hard! I had to run nacked in a winter night from the middle of the way of one city to another. I stayed 45 days eating only bread and coffee. While everybody went to campus by bus, i climbed a very high hill on foot every day, isn't that Rock and Roll? I had a good friend sculptor that shared a plate of food with me, and he was hungry! I caught tuberculosis walking in the rain with two fellows after singing Samba and sleeping wet on the ground. You know what, i hate Rock and Roll, i only understand Samba.
Fuck this Planet Rock and Roll!

Nhandeara, 18 de dezembro de 2011
Marcos Satoru Kawanami

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

cavaquinho: com que roupa?




COM QUE ROUPA?

Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta
Pra poder me reabilitar

Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar

Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu

Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Seu português agora foi-se embora
Já deu o fora e levou meu capital
Esqueceu quem tanto amou outrora
Foi no Adamastor pra Portugal

Pra se casar com uma cachopa
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Noël Rosa