domingo, 31 de julho de 2011

mundo das idéias - Platão x Aristóteles - caos - Escher



MUNDO DAS IDÉIAS

No mundo das idéias só, vivia
eu só, que de ideais fugir tentava;
atado por Platão, eu me arrastava
à banda de Aristóteles da via.

Da via em que seguia noite e dia,
poeta que, no mundo, calculava
o que era coisiforme e destoava
da esfera onde o ideal lhes bem servia.

Baixava-me Aristóteles ao caos
a ser esquadrinhado a lápis, ou
elevado à potência do ideal.

Mas, quando toda a frota soçobrou,
eu vi que tudo é bom; e, afinal,
no mundo das idéias sempre estou.

Marcos Satoru Kawanami

...
ô, meu, qualé, nem vem, escuta aqui: http://blip.fm/mskawanami

quinta-feira, 28 de julho de 2011

idéia de adão - sistema binário - linguagem binária de programação - não dá pra pensar, ou não pensa pra dar? - inclusão digital: inclua-me fora dessa! - sacanagem é índice cabal da universalidade de uma obra: os pedreiro vive cantando as mulheruda nas obra. - "ou não" (Caetano Veloso)



IDÉIA DE ADÃO

Não é verdade que eu só diga não
a quem só queira ouvir meu doce sim;
sim, é verdade, sempre tem de mim
paciente ouvido a boca da razão.

Se almejo ir além da compreenção
a matutar até ficar carmim,
é bem capaz que eu fique mesmo assim
porque só tenho idéia de Adão!

Que foi este soneto até aqui
—além da praxe da enrolação—
mais do que ir alternando im com ão?

Acabe de Goiás todo o piqui,
paciente ouvido à boca da razão,
humano é o nome da contradição.

Marcos Satoru Kawanami
...
Rádio Adega AM: http://blip.fm/mskawanami

sábado, 23 de julho de 2011

soneto solilóquio - Os Ignorantes, monólogo de Pedro Cardoso - rima esdrúxula - rima rica - rima proparoxitonal - teatro


SONETO SOLILÓQUIO

Naturalmente em mim autista hermético,
o drama foi fazendo-me... dramático!,
extravazando até o esquema tático
em prol de um benefício mais estético.

Atleta mais melódico que atlético,
sou simbiose de um sopro pneumático
trompista, e artifício matemático;
e em síntese resumo do frenético.

Pois disse-me a parteira no meu parto
que eu fosse à merda!; eu ri, e teve início
a minha saga errante de Pinóquio.

E dentro do meu crânio existe um quarto
em cena teatral onde o bulício
da platéia é aplauso a um solilóquio...

Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 21 de julho de 2011

soneto de Glauco Mattoso - precípuo - frase de Antoine de Saint-Exupéry - soneto shoeless



PRECÍPUO

Poetas não escrevem por dinheiro.
Atrizes sempre têm a mesma cara.
Modelo é meretriz mas não declara.
Rockeiro sem chulé não é rockeiro.

Jeitinho é profissão do brasileiro.
Jetom é gorjetinha em língua clara.
Juiz não diz-que-diz: profere, exara.
Barata é voto nulo em galinheiro.

As coisas têm que ser como elas são,
e não como alguns querem que elas sejam,
senão não tinha graça nem tesão.

Dos cegos só se espera que não vejam.
Do Glauco todos fazem gozação.
Enquanto alguém padece, outros festejam.

Glauco Mattoso
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SONETO SHOELESS

No afã de superar minhas manias
de símio faniquítico cristão,
adotei como pai o velho Adão,
e fui circuncidar tudo o que eu via.

Eu quis Raquel, porém casei com Lia,
e ainda de pastor servi Labão;
topei com boi chifrudo em contra-mão,
lançando as bases da Cornogonia…

Corinthiano sou, e não santista,
porque não vi jogar o rei Pelé
que teria me feito um vitorista!

Eu gosto de louvar mesmo é o Mané,
o sumo do resumo idealista,
eu gosto é de mulher que tem chulé!

Marcos Satoru Kawanami
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note bem: "de pastor servi Labão", mas sou Católico. e leigo. 

terça-feira, 19 de julho de 2011

trova austera de São Jorge Guerreiro - St. George of England


TROVA AUSTERA

Há uma sábia verdade
que diz com idealismo:
—Comandar com humildade,
e acatar sem servilismo.

Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 15 de julho de 2011

static's apology - Anteeksipyyntö on staattinen - Apologie des statisch - apologia da estática


APOLOGIA DA ESTÁTICA

Imóvel permanece quem na vida
se encontra satisfeito por completo;
tem tudo, mesmo sendo analfabeto,
quem vive agora a sorte prometida.

Mais vale a permanência que a partida
se talvez o além-mar nos guarde afeto,
posto que não há gozo mais seleto
do que prezar a sorte recebida.

O mundo foi criado por amor,
mas por paixão está em movimento;
de maneira que ocorre-me supor:

Tendo Deus agitado o firmamento,
e dado a nós a Sua semelhança,
serão leis o mover e a esperança?

Marcos Satoru Kawanami
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Os personagens de uma peça cênica têm defeitos para que haja trama; na comédia, os defeitos despertam o humorismo; na tragédia e no drama, são necessários para antagonizar com as virtudes do herói. Isso explica por que Deus não nos criou perfeitos?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

felicidade canina - soneto


"Friends are friends when they don't even know why they are friends."
(Rolando Boldrin)

"I think that the sufferings of this present time can not be compared to the glory which shall be revealed in us..."
(St. Paul, letter to the Romans 8:18)

"Ambition is the last refuge of failure."
(Oscar Wilde)


FELICIDADE CANINA
(the pursuit of happyness)

Um tal instinto bom eu tenho tido,
que desde a aurora verde de menino
conduz-me em descaminhos cujo tino
teria diplomado um falecido.

Por mais que me quisesse desistido
o mundo de cumprir o meu destino,
o bom talante alegre e olhar canino
feliz em si tem sempre persistido.

Cachorros são felizes porque querem:
lá na indigência hostil do viaduto,
ou no trabalho árduo do polo.

E nesse olhar canino que os diferem,
conforme é mais o afável que o astuto,
pessoas há que têm dos anjos colo.

Marcos Satoru Kawanami
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CHUVA DE VENTO (1) – embolada (29 de abril de 1937)
(Noel Rosa)

Chuva de vento
É quando o vento dá na chuva.
Sol com chuva,
Céu cinzento,
Casamento de viúva.

Zeca Secura
Da fazenda do Anzol,
Quando chove não vê sol,
Vai comprar feijão no centro:
Bebe dez litros
De cachaça em meia hora,
Pra agüentá chuva por fora,
Tem que se molhar por dentro.

Vento danado
É aquele lá de Minas,
Sopra encima das meninas,
Diverte a população.
Até os velhos
Vão correndo pras janelas
Para ver se alguma delas
Já usa combinação.

Faz sol com chuva,
Tem viúva lá na Penha,
Não há viúva que tenha
Tanto pretendente junto:
Nessa corrida
Da viúva de seu Mário,
Quem for vencedor do páreo,
Ganha resto de defunto...

Quem nunca viu
Chuva de vento à fantasia,
Vá em Caxambu de dia,
Domingo de carnaval.
Chuva de vento,
Só essa de Caxambu:
Domingo chove chuchu,
E venta água mineral.

Um Zé Pau d’Água
Tem um amigo parasita,
Não trabalha e sempre grita:
Viva Deus e chova arroz!
Gritando assim
Do seu povo ele se vinga:
Viva Deus e chova pinga,
Que o arroz nasce depois!

Muita gente desconfia
Dessa chuva à fantasia
Que eu vi em Caxambu.
Se o espanhol
Contar a dele, não me ganha.
Vai dizer que lá na Espanha (2)
Chove bala pra chuchu.

(1) Apontada como a última composição de Noel Rosa, que morreu de tuberculose pulmonar 5 dias depois, em 4 de maio de 1937, aos 26 anos de idade. Melodia perdida.
(2) Alusão à revolução espanhola iniciada em 1936 por Francisco Franco, que tomaria o poder em 1939, com auxílio de Hitler e Mussolini. Esta estrofe não foi recitada por Almirante.
Recitada parcialmente por ALMIRANTE durante o programa No Tempo de Noel Rosa de 31 de agosto de 1951 levado ao ar pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro.
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algumas canções das quais sou ouvinte: http://blip.fm/mskawanami

domingo, 10 de julho de 2011

quiçá - qualquer semelhança com Sandra Bullock é mera coincidência, de DNA

Camões tinha as Tágides, mó doideira;
não é insensatez maior ter por musa Clara Nunes.

QUIÇÁ

Quiçá este mal-estar
seja apenas pretexto para escrever;
mas escrevo, logo penso;
e penso por estar.

Quiçá este mal-estar
seja apenas solidão (palavra de fracos);
mas meu egoísmo a negaria (julgo-me forte);
e bem poderia ele ser causa de solidão.

Quiçá este mal-estar
seja apenas culpa;
mas não por ferir outrem, senão assim ferir-me;
e toda ação de todos almeja o próprio.

Quiçá este mal-estar
seja apenas orgulho e vaidade;
mas o orgulho pisado é que ulcera;
e se tudo sobre a terra é coisa vã...

—culpa por ferir o orgulho egoísta
na solitude das coisas vãs
impele-me a escrever mal-estar
por mau ser.

Ouro Preto, 1995
Marcos Satoru Kawanami
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Medo de amar, porque as pessoas morrem; mas coragem para amar por causa da Ressurreição.
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Trilha Sonora do Blogue: http://blip.fm/mskawanami

sábado, 9 de julho de 2011

j'ai faim

Estação de Trem São Bento - capital paulista
J'AI FAIM!

Quando eu era estudante secundário (ensino médio, rapeize) na grande capital paulista, eu tinha a ingenuidade de não saber nada e pensar que sabia tudo, ou quase tudo.

Eu sabia que, sabendo ler e sabendo as quatro operações matemáticas, eu poderia aprender qualquer coisa por conta própria, sendo auto-didata: então o essencial eu já sabia. Ah, e sabia também que Isaac Newton criara o Céu e a Terra.

Eu cabulava aula no Sebo do Messias, uma enorme loja de livros usados do centro velho paulistano. Apesar de os livros serem muito baratos, só às vezes eu comprava algum; via de regra, eu ficava a manhã inteira lendo lá mesmo até dar a hora de volver a casa, onde minha avó esperava o estudante exemplar que acordava às 5:30h da alvorada, e ia a pé da Rua Frei Rolim, na Saúde, até a Estação Santa Cruz em Vila Mariana, todos os dias sem falta. Eu respeitava a velha. Quando meu pai foi aprovado na 4ªsérie, minha avó lhe fez um exame com toda a matéria do ano, no qual ele não passou; aí, ela matriculou o coitado de novo na 4ªsérie; foi escutando essa história que eu tive a primeira noção do conceito de: FODER-SE.

Não sei como é hoje, mas, naquela década de 90, os professores apenas regorgitavam o que estava nos livros didáticos; já disse que sabia ler, então, lia em casa, e ia ao sebo ler outras coisas: ora, eu só tinha 16 anos e queria saber como era o Mundo antes de ter a idade suficiente para tal propósito.

Um dos livros que manusiei intitulava-se "J'ai faim!" - "Eu tenho fome!" - não tive vontade de ler, comia bem em casa de vovó, mas isso nunca mais me saiu da cabeça.

Em 1994, ingressei no curso de Astronomia da UFRJ, e logo em seguida parti para Ouro Preto, a fim de estudar Engenharia de Minas, por sugestão de minha sábia irmã.

Passei 45 dias numa república federal da UFOP comendo somente pão-com-manteiga e café puro, até conseguir emprego nos refeitórios da universidade, onde o salário era a refeição.

Em geral, a fauna republicana gastava o dinheiro que seus responsáveis lhes mandavam com coisas fúteis e pouco estudo.

Freqüentava a república um escultor de nome Frank: mulato de olho azul e magérrimo, cheirava mal por falta de banho. Logo descobri que seu nome verdadeiro era Ismael Marcelino, natural de Anápolis, uma cidade de Goiás, e que tinha olhos azuis porque sua mãe também os tinha, sendo alvíssima, enquanto seu pai era um afro-descendente do tipo creoullo tição. Chamavam-no de Frank porque o achavam deveras feio.

Desde que soube seu verdadeiro nome, eu só chamava-o por Ismael, e ele sempre queria conversar comigo porque eu tenho a pachorra de ouvir as pessoas - que nem puta de cabaré -, ao passo que os republicanos já tinham começado a menosprezar o Ismael depois que se cansaram de sua figura cadavérica.

Até que, numa noite, eu fiquei trancado para fora da república, e ninguém quis abrir a porta. Ismael estava comigo, e me ofereceu abrigo na sua casa. Chegando lá, não havia móveis na casa, só um sofá, um fogão e um guarda-comida, em que encontramos um pouco de farinha de mandioca e um único ovo. Como nós não tínhamos jantado, ele fez o ovo mexido com a farinha e colocou em dois pratos rasos, pouquíssima comida. Para minha surpresa, Ismael ainda me deu o prato com mais comida.

Passados alguns meses, eu voltava da aula quando encontrei o Ismael sentadinho todo encolhido na soleira duma farmácia. Nós conversamos amenidades, disse-me que estava tomando um pouco de sol...

Só hoje eu percebo. Careceram se passar 15 anos de ingenuidade para eu perceber: Ismael estava doente, na porta da farmácia em postura mendicante, mas sua hombridade lhe embargava a voz para dizer: "Amigo, me ajude com a conta do remédio?" ou talvez "J'ai faim!".

Nhandeara, 10 de março de 2010
Marcos Satoru Kawanami

sexta-feira, 8 de julho de 2011

tu sei la vita mia - canzone


Tu Sei La Vita Mia

À noite, cismando a Guanabara,
nela vejo o luar
refletido em seu volume,
memorial do que, um dia, foi mar.

Então sinto-me sorver o ar que respiro,
o ar que nem está perto nem longe,
o ar que antes de mim esteve
e que quando eu partir ficará.

Este fluido que está por todo lugar
é como ti, Luciane,
que onde estejas, quando estejas,
sempre a terei por amar...

Marcos Satoru Kawanami
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Eu não toco, surdo: http://blip.fm/mskawanami

quinta-feira, 7 de julho de 2011

desde vila rica - um atleta que tentava ser poeta em Ouro Preto sem noção, no geral em termos de quase a totalidade da vida de cabo a rabo


Desde Vila Rica

Casa dos Contos, igreja do Carmo.
Ruas de pedra, nenhuma de asfalto.
Do tempo do rei, a um outro mais calmo,
Cecília Meireles, que viste aqui

Que valasse romanceiro tão alto?
Acrópole falsa de antes das dores,
Índio, negros, e colonizadores;
Testemunha tu, Itacolomi.

Que medo jazente ainda resta aqui?
Que jazida latente atocaiada
À noite espreita o Bairro das Cabeça?

Pedra, bebeste de sangue, não esqueças!
Perdão, Minas, fosteis todas violadas...
Pedra, olvidas?! e dá,qual sempre, flores.

Ouro Preto, 1994
Marcos Satoru Kawanami
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Eu não toco, surdo: http://blip.fm/mskawanami

terça-feira, 5 de julho de 2011

minuto de apocalipse - dal mio tempo dei minimi quadrati



Minuto de Apocalipse
(ao amigo Adelzon Alves)

Das insulanas plagas de Guanabara,
por fluidos lúgubres banhadas,
pede aos céus e ao mar clemência
o Galeão ilhado que vai a pique.
Já se vão os insolarados dias
do rude, mas feliz, contentamento;
azul mirar, ignaro entendimento
de juvenil brinquedo e alegria.

Eis que da terra fogo eclode;
a celeste artilharia seus luzeiros precipita;
não resta chão sob os pés de toda gente: —Bombardeio!
bombardeio! bombardeio!
Comprimido em tal ígnea atmosfera litigante,
nem Marte, de belicoso talante,
atura —quão menos o mortal tecido.
Céu e terra declaram guerra!

Qual bestas ancestrais anfíbias,
vagas colossais engendra,
para seu sulfúrico colapso,
a fétida e vulgívaga baía,
Vasco, vede: o mar treme;
porém são do portugueses
que tremem do mar.

Em perimetral contorno
ergue-se uma muralha apocalíptica com todo
o volume de guanabaresco lodo,
que de pronto
arrasa a carioca urbanidade.

Pouco além, senão ao mesmo instante,
um soberano Galeão renato
emerge do líquido translúcido
que ocupa o então vazio sobre-abundante.

Germinam novamente os claros dias
do absoluto, feliz contentamento;
azul mirar, agora vero entendimento
de divinal brinquedo e alegria...

Ilha do Governador (RJ) 10 de outubro de 1995
Marcos Satoru Kawanami
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Rádio Oficial do Partido Politizadamente Apolítico: http://blip.fm/mskawanami

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pixinguinha e Otávio de Souza compuseram esta obra prima que me cativou na adolescência, e que estendo à nova geração:


ROSA
(Pixinguinha e Otávio de Souza)

Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa
Do amor por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor

Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente
De luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito teu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral, oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia ao pé do altar
Jurar aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer



sexta-feira, 1 de julho de 2011

para ser feliz


PARA SER FELIZ

Para ser feliz, é preciso emburrecer;
é preciso ouvir Rock, mas ouvir Rock Pauleira;
é preciso chegar além, chegar à beira
da total ignorância do nada temer;

é preciso, valente, retornar a ser
criança, pois a infância é sempre prazenteira:
tempo de ouvir, falar, fazer muita besteira;
é preciso, pra ser feliz, desaprender...

Para ser feliz, é preciso acreditar
bastante em Deus, e nem um pouco na Ciência,
mas sem cismar com Deus, a bem da irreverência.

Para ser feliz, é preciso respeitar
o Ramadã, o Sábado..., também o ebó,
e é bom, de vez em quando, até virar bocó!

Marcos Satoru Kawanami
.....


Trilha sonora: http://blip.fm/mskawanami