quarta-feira, 8 de junho de 2011

soneto em versos alexandrinos ao Olavo Bilac - la divina increnca - Juó Bananére - Bastos Tigre - Eno Teodoro Wanke - paródias ao "ouvir estrelas", soneto 13 de Via Láctea



SONETO AO BILAC

Quem me dera ter a solar luminescência,
por expandir meu estro a toda parte, à vista
de toda a gente sóbria haurida de conquista
mas plena de vontade e plena de decência.

Quem me dera ter a tão altiva imprudência,
por zombar do poder, por não ser realista,
mas, com uma postura além de idealista,
ao mundo me entregar sem celeste clemência.

“Mas isso tudo é sonho, é ilusão, amigo”
— dirá quem não tem alma e vida de poeta,
e, mesmo bonachão, discordarei consigo:

Ame para entender o que se lhe é diverso,
pois o Amor, o Amor só, no coração decreta
da vida a explicação que é dada em prosa e verso.

Marcos Satoru Kawanami


XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac


Uvi Strella

Che scuitá strella, né meia strella!
Vucê stá maluco! e io ti diró intanto,
Chi p'ra iscuitalas moltas veiz livanto,
I vô dá una spiada na gianella.

I passo as notte acunversáno c'oella,
Inguanto che as otra lá d'un canto
Stó mi spiano. I o sol come un briglianto
Nasce. Oglio p'ru çeu: — Cadê strella?!

Direis intó: — Ó migno inlustre amigo!
O chi é chi as strellas ti dizia
Quano illas viéro acunversá contigo?

E io ti diró: — Studi p'ra intedela,
Pois só chi giá studô Astrolomia
É capaiz de intendê ista strella.

Juó Bananére


OUVIR O MESTRE

"Ora (direis) ouvir o mestre... Certo
perdeste o senso!" — Eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-lo, muita vez desperto
no meio da aula, pálido de espanto!

E como fala o homenzinho, enquanto
meu relógio não anda... É que, decerto,
parou! Sacudo. Escuto. Não... E, em pranto,
comprovo quanto o início ainda está perto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
E esse teu professor... Oh, que sentido
tem o que diz?..." Mas eu nem ligo,

e vos direi: "Pois queira ser doutor!
— Só quem tal quer, consegue ter o ouvido
capaz de suportar um professor!"

Eno Teodoro Wanke


OUVIR ESTRELAS

Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo
Que estás beirando a maluquice extrema.
No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
Que mais eu gozo se escabroso é o tema.
Uma boca de estrela dando beijo
É, meu amigo, assunto pra um poema.

Direis agora: — Mas enfim, meu caro,
As estrelas que dizem? que sentido
Têm suas frases de sabor tão raro?

— Amigo, aprende inglês para entendê-las,
Pois só sabendo inglês se tem ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

Bastos Tigre
..............................
Rádio Corinthians: http://blip.fm/mskawanami

Um comentário :

R. Guimaŗãeร disse...

Adorei todos, especialmente o último. Parabéns pelo soneto.


Brijos,
Ry.