quarta-feira, 30 de março de 2011

Modern Times - Tempos Modernos - Paullet Goddard - Charles Chaplin - movie classics - sonnets: to Charlie and Paulette

Modern Times (film) - Paulette Goddard

MEMÓRIA DO FUTURO
ao Charles Chaplin

Era um retrato cinza, preto e branco...
do tempo dos antigos, de primeiro,
quando a morte assombrava o mundo inteiro
e o fuzil vitimava a cada tranco.

Em uma vila, à beira de um barranco
de escombros e despojos de guerreiro,
tendo ao fundo o adejar de um bombardeiro,
chorava uma criança sobre um banco.

Fechada a boca, lágrimas desciam
silentes sobre o espelho da lembrança,
e no sangue do chão se diluíam...

É toda a espécie humana esta criança,
e as lágrimas que dela se esvaíam
sustentam nova edênica esperança.

Marcos Satoru Kawanami


Paulette Goddard

MOVIOLA
à Paulette Goddard

Prepara o filme, e põe na moviola;
Eu quero apenas não querer mais nada,
A minha fita é fita rodada:
Não mais ouvidos dou à corriola.

O ceticismo que ora me isola
Já foi ingênuo amor, já foi cilada.
Adeus mulher, adeus à pátria-amada;
Puxo o bonde empurrando a carriola...

Prepara o filme, e põe na moviola;
Na edição, a tesoura enferrujada
Não há de nos servir, fica calada.

O nosso filme é bom e não enrola:
O que vale mesmo é a gargalhada,
O resto é peta, é burla, ou é piada!

Marcos Satoru Kawanami
..............................................................
trilha sonora do Blogue: http://blip.fm/mskawanami

6 comentários :

Adriana Godoy disse...

Deliciosos sonetos....com êxito uma homenagem ao cinema mudo e os artistas que o representaram. Beleza, Marcos! Beijo

Soneca disse...

Uma honra ser chamada de Paulette, mesmo que seja só pela coincidência de nomes! Uma injustiça com ela, acredito, melhor pra mim.

Ela tem os olhos muitos bonitos, homem! Soneto "Moviola"... acho que, dos que me lembro(desculpe por estar véia), nesse foi que sorri mais. Ainda terei chance de assistir um filme dela, sugeres algum?

"Eu quero apenas não querer mais nada"

Inté
ps: Chaplin é meu personagem preferido do cinema, graças ao cara que o criou.

byTONHO disse...



Soneto em P&B,
moderno, diz tudo,
fala-cinema mudo!

Marcou Kawanami!

:)

Gabriela disse...

"O ceticismo que ora me isola
Já foi ingênuo amor, já foi cilada."

Que maroto! Como a moça.

*olha, depois do seu comentário "Sê", fiquei com medo e digo mais nada.

:]

Teca Eickmann disse...

Um homenagem bela e delicada! Adorei.
Beijos.

Paulo Vitor Cruz disse...

o versificar dos dois sonetos atingiram bem o tal do equilíbrio formal.. tecnicamente impecável... (coisa rara de se ver no universo blogger)

abraço grande e feliz restin de domingo ae.