sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

CNEC - Colégio Cenecista Capitão Lemos Cunha - schöne war die Zeit

NAQUELA MESA
- sergio bitencourt -

NAQUELE TEMPO
- costinha -

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
- ataulpho alves -

E marchamos pelas ruas de Miraí, sob a batuta do Mestre Djalma (alagoano que tocava trombone de "pisto" como eu), tocando as músicas de Ataulpho Alves no ano de seu aniversário de 80 anos. Eu era criança, era feliz, e sabia, e sentia, e pensava com acerto que aquele chão era sagrado...
Marcos Satoru Kawanami

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"poética", poema de Manuel Bandeira - a propósito de -

"Galatea de las Esferas" Salvador Dalí 1952


SONETO FEROZ
ao Quincas Berro D'Água

Eu não quero o lirismo comedido,
como já disse o velho e bom Bandeira;
eu não quero a bandeira brasileira
entre tantas de um mundo dividido.

Eu quero o amor geral, o Amor perdido,
difuso, tão confuso, assim sem eira
nem beira, só a vontade prazenteira
de viver sem jamais ser iludido.

Eu não quero este mundo decadente
que se ufana a dizer ser progressista
num suicídio lento, enquanto mente.

Eu quero é o ideal surrealista,
a doida sanidade do demente,
a lúcida loucura do autista!

Marcos Satoru Kawanami

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

apelo para epílogo




APELO PARA EPÍLOGO

          Armendaris Fuentes Mudimbe de Orleans y Trompovsky y Romanov y Kurosawa é o nome dele. Ele é da antiga Ciudad Trujillo, atual São Domingos da República Dominicana. O nome impressiona? Pois que então passe o meu em omisso. Sou da ilha, trabalhamos juntos na capital... Como todo bom homem lá da terra, ele tem um bom nome também, e uma boa genealogia que abraça todas as nações do mundo, a qual vale uma explicação ainda melhor; mas ora não se faz pertinente. Ocupo-me pelo que lhe sucedeu hoje à tarde.
          O décimo quinto Escritório de  Recolhimento amanheceu impenetrável de processos tributários. Com a volta à atividade do pessoal jurídico, em greve por atraso salarial já entrado no sexto mês, que o governo soe atribuir ao decréscimo do preço da banana, o serviço liberado de súbito como que despencou em queda livre do oitavo ao segundo andar de nossa seção com uma aceleração inédita de expediente. Resultou que eu ainda ficaria preso à datilografia almoço a dentro, quando ele veio convidar-me para um café.   Tal a lástima, é como se eu o visse aqui, e já neste instante,  saindo  só e banzeiro pela porta do corredor. Depois, o que soube dele, interei-me faz pouco mais de quatro horas.
          Certamente  não  almoçou.   Não pôde, outra vez o bar conspirava, estando a cozinha no terceiro golpe de estado do ano.   Estaria faminto; desceu ao térreo direto  ao  refeitório quando,  no entanto,  o detiveram:   "A comida falta, a banana apodrece!",   escutava-se.   Dão  a  ele uma banana e o despacham. Perambula pelas ruas do centro;  uma briga  de  meninos;   vendedores ambulantes; revoada e alvoroço pelo discurso  frustrado  dos protestantes na praça central; prosas de esquina; vai deixando rasto até achar  o  caminho  da praia.   Esse deve ter sido seu itinerário mais provável, pela descrição que obtive: homem moreno, sem bigode, sem barba, sem chapéu nem dinheiro, vestido e calçado. Não fossem outros tantos milhares  de  concidadãos,  ora,  só poderia ser ele! Pois chega à praia e,  como  todos  que  estivessem  lá àquela hora, faz reparo ao longe no mar  em  três  pequenas  embarcações.   De uma delas baixa  um  bote vindo  se acercar da areia;   o capitão salta desengonçado, tropeça  e  cai de joelhos ao lado de Armendaris,  que,  em auxílio, estende-lhe a mão e o recompõe.   Parece  ter  saído  dum  cortiço,  contaram-me, mas a roupa é antiquária, o pior é que está sujo e fede.
          —Santa Maria! O que é você  —faz Armendaris perplexo.
          —Pinta e Niña! Por Deus,  o soberano reino  e a cristandade, sou Cristóvão Colombo. E você?
          —Armendaris.
          —Ganhei?
          —...Fuentes Mudimbe de Orleans y...
          Pausa.
          —Que nome tem aqui?
          —São Domingos.
          —Do... Ceilão?  —Cristóvão se aflige.
          —Não, daqui mesmo.
          —Em algures do Índico?
          —Desde que seja na América Central... tanto faz, cara pálida.   É  onde te encontras.
          Janeiro costuma ventar e chover todo dia. Hoje, o vento, a brisa costumeira da praia que refresca o expediente, já pelo  muito  a fazer, já por não ter ventado mesmo, de minha parte não se fez sentir.  Seja como for, para eu que permanecia  aferrado no escritório,  era confuso precisar os humores do tempo. A mesma senhora que estava na praia e posteriormente me forneceu essa informação, urgiu em contar detalhadamente o que viu se passar entre Colombo e Armendaris.   Parece  que  aquele,  desiludido pela palestra,  considerou largo  período seu interlocutor, dirigindo depois a vista aos banhistas e curiosos que se assomavam; aparvalhado, quase a chorar de desespero, ainda pôs-se de ponta-de-pé  para  divisar suas três naus letárgicas sobre o mar; e assim demorou outro tanto. Por fim, arderam-lhe os olhos as cintilações da água, ao que retesou o rosto inteiro reparando  no  calor  e na incrível limpidez do céu despojado de nuvem,  quando,  voltando-se  bruscamente  para  Armendaris, disse adeus, retornando ao bote.
          —Ei!  Chega mais.  É cedo,  vamos  tomar um café na Confeitaria Colombo.
          Daí, os dois deram um pulo até o Rio de Janeiro, e o navegador voltou devidamente descontraído para  encontrar  em  São Domingos seu paraíso na Terra. Gostou tanto da ilha que, retrocedidos cinco séculos, ao dar novamente em costa americana,  batizou-a  São Domingos, o que levou a consagração daquela data,  desde então no pontifício  calendário,  ao  Santo Domingo  do Senhor. Armendaris, entretanto ficou no Rio, e não pude esclarecer por completo o ocorrido de sua delonga no lugar. Um boletim de ocorrência foi o documento que encontrei. Assinala seu entretenimento com a milícia local e a coroa, que acabou incorporando-o  a  uma expedição mercenária ou para-militar  —não se sabe—  rumo ao extremo sul,  onde   "insurretos ameaçam a unidade nacional". Sucede que,  na província de Santa Catarina, proclamada República Piratiny, agourando o porvir cinzento à iminência dos combates, decide-se pela deserção, é claro.
          Muita terra. Terra demais, e nada. Amplidão a vista perder: azul, verde, o infinito,  e nada.   Colinas,  que passe colinas. Mas, pergunto, que são colinas?   Mais um nada à nulidade do todo, ou do nada, selvagem e inóspito daquele rincão do Brasil meridional. Difícil  é  imaginar  aquele  imenso  mar  de morros propriedade de alguém.   Não seria mesmo provável  que  ali  vivalma habitasse,  ou viajor qualquer de hoje até eras das mais remotas houvesse traçado passo por lá. Uma casa, uma cabeça de gado, um berrante embrumado: nada. Tal era a riqueza do senhor Bento José, dono da quebrada onde encontrou meu colega ferido de bala nas costas.
          Crê-se, sua recuperação na casa do fazendeiro foi milagrosamente bem sucedida e rápida,  aos cuidados voluntários de Anita,  filha de Bento.  Estranho foi não ter sido achado o projétil, que teria ficado entranhado em Armendaris, ou talvez não.
          No princípio,  quando  aos  da  casa  foi revelada as circunstâncias do ferimento, quiseram acreditar que se tratava  de  uma cilada,  e  abrigavam um bandido; sem vacilo, um espião! Todavia, Anita que mais contato  despendeu em sua assistência, conquanto guardasse  segredo  para  não  escandalizar os homens da casa, enxergava o caso por um ângulo bem distinto. Desenvolvera a teoria de um verdadeiro milagre. Não sei porque, nem ninguém mais sabe como, associações  das  mais  extravagantes,  malgrado muito afeitas à idade, induziram-na a concluir sem menor chance para dúvida  que, definitivamente, ele havia expelido  a preciosidade com as fezes.  Porque, de primeiro, sangrava ao defecar.
          Por essa época a Farroupilha seguia em plena marcha  pelas províncias do sul.   A propriedade  de Bento José era posto de abastecimento dos farrapos; o trânsito deles por lá intensificava-se  sobrevindas  as vitórias iniciais; o próprio   fazendeiro  era farrapo,  todos se alinhavam e venciam,  e um rápido final era  certo e esperado.   Os  homens das tropas fiéis ao Império não eram tão fiéis quanto. Afinal, "gente, para que brigar, não é?".
          Mas governo é governo.    Gigante  plácido,  desconjuntado,  moroso, mas   gigante  sempre.   As coisas  se  prolongavam...  Ele  sem  mais  como, acabou tendo que  "provar seu valor"  e cumprir o destino que tanto faria por retardar;  agora,  como traidor da pátria alheia.  Desde sua primeira campanha encontrou-se batendo ao lado de  um  libertário  louco  que  desmoralizou-lhe todas as ressalvas de amor à vida.  Justo ele!  Foi da companhia de Giuseppe Garibaldi até o fim, com quem seguiu  para  o  Reino Das Duas Sicilias, onde os  esperavam os camisas vermelhas a destituir Bourbon e proclamar a República:
          —Veste a camisa, ragazzo!
          Não? Qual seria o problema?
          —Comunismo está em baixa.
          Ele não teve pena. Súbito estampido. Ao primeiro disparo bolchevista, Garibaldi tomba fulminado por um estilhaço de muro alemão.
          Anita,  que fôra roubada do pai,  chorou seu marido, chorou cem toneladas de história.  E a prantina inundou a região.  E a Sicilia separou-se definitivamente da península.  Comovidíssimo, ele houve por bem deixar que a viuvinha se afogasse só,  já que quisesse tanto assim! Toma o primeiro ônibus a qualquer parte,   mas  como  toda  estrada levasse a Roma, seu destino outro não pôde ser.
          Esclarecimento: desculpe-se o ritmo apressado do relato. Ele, saiba-se logo, está em todos os sentidos apertado,  recorrendo eu à compreensão dos que me lêem para  transmitir-lhes  o  sucesso  de sua desventura. As informações são confusas, e haverei de passá-las sem muito  morar,  pela emergência em que se encontra o meu amigo, o qual espero  em breve  chegar a socorrer. Advirto, porém, que até agora foi dito pouco.
          Para  certas  vidas é  possível que haja fado, ainda que ingrato, por vezes.  Se ele é uma dessas vidas, cada um que o conhece que o diga: Mal descido em Roma,  viu-se de novo conduzido pela marcha das armas. Foi recrutado por uma Cruzada dessas ao Santo Sepulcro que ele chegou ao Mar Vermelho,  considerou  premente a passagem para o Mediterrâneo, e convenceu Ferdinand de Lesseps  a  iniciar a obra. Então, auxiliado por um jovem velhaco, já havia conseguido  desertar  também da  expedição  bélico-religiosa,  fato que veio a ser preliminar para a existência, hoje, do Canal de Suez.
          Pergaminhos medievos  encontrados  na  biblioteca  do Vaticano sob a forma de compact-disc registram a lenda de um  estrangeiro  indescritível que teria ajudado o tempo em sua  árdua tarefa  de fazer ruínas o  Coliseu.   Ainda assim não hesito a crer que a passagem  de nosso dominicano por Roma tenha resultado nula,  salvo pelas ações indiretas do jovem cruzado seu companheiro desertor a quem, depois das conversas (suponho) que teriam travado nos acampamentos,  inculcou  a idéia  de  regressar  à Itália e requestar ao Papa o reconhecimento  de  sua  própria ordem religiosa. Chamava-se o pobre diabo Francisco...
          Mas, orientando  os  trabalhos  de  Ferdinand em Suez, ele nada queria saber além da construção do canal,  que realmente chegou a ver concluído no exato instante em que Moisés cruzava o Mar Vermelho.  Maravilhado  com  o prodígio e satisfeito com o trabalho, despede-se de  Ferdinand;  combinam um reencontro; seria no Panamá, para a  abertura do  segundo  canal.   Cada qual num sentido,  ele  segue  com Moisés a Canaã. Talvez por soar aos seus tímpanos  latino-americanos um quê de familiar, cativou-o a idéia da terra prometida. Dessa vez não desertou.  Mesmo  nos  tempos  do maná e dos filisteus, persistiu; até que sucederam-se os profetas e consolidou-se,  de Sidon a Bersabéia, a civilização de Israel.  E  quando  a poeira  dos  primeiros anos parecia estar enfim se assentando, vê varrer novo tufão as plagas  tempestuosas do povo judaico; quisto revolucionário  incorporado  por  um  único homem que insufla e adestra as massas à contestação.  Profeta?  Demais afeita a alma de Armendaris aos  arrojos  impetuosos  de  mudança  (bem é visto o estrago que tem feito no horário de almoço),  resolve conhecer  o tal agitador. Pretendo terem ele e o outro se conhecido bem,  ou ao menos gastados largos períodos juntos: ele torna-se alpinista amador, que era a propósito recurso de que mais dispunha, para reunir a ralé, o afamado demagogo.   Duma feita, tendo a multidão chegado  ao  rés  do  monte  conhecido por Monte das Oliveiras, aguardava o comício.   Nesse meio tempo Armendaris inicia a discussão,  dirigindo-se solenemente ao profeta nos seguintes termos:
          —Quem mais afortunado seria —pergunta enfunado de ares épicos: seria o pastor feliz, que é feliz na ignorância, ou o sábio que é sábio e por isso irresoluto, e pelo saber se inquieta? Vós pregais a singela e estreita senda da felicidade, e muito já tendes censurado a conduta dos sábios e doutores que seriam o exemplo lógico a seguir de todo indivíduo, face à irrefutável consideração de que gozam aqueles em meio aos demais. O saber é um valor. No entanto haveis com instância arrazoado, e a tanto lograstes bem a convencer-nos, de que dito valor, em imediato entendimento, faz-se alheio às fronteiras da felicidade. Mas se a primeira finalidade do saber é satisfação, que outro fim seria felicidade? Creio deparar-me ante uma evidente incongruência, e procuro relutante, não menos que redundante, Vosso esclarecimento. Pois, em qual condição melhor um vive?    (Esta passagem, a obtive numa sinagoga suburbana de Nova Iorque, em escritos não, como se diz, seguramente fidedignos. Ora, que baste um dominicano discutindo em hebraico arcaico, escrito em aramaico, traduzido para o inglês, interpretado em espanhol, e recontado para brasileiro ouvir!)
          Assombrado silêncio se apodera da multidão; porque a multidão está sempre assombrada; e aguarda a palavra do mestre, que nada hesite em responder, ainda que o fizesse de modo tão enigmático, e ninguém compreendesse. Bradou:
          —Bem aventurados os que são o que são, porque deles será o que lhes é cabido!
          Esta bem-aventurança jamais seria explicada. Também surpreso pelo inusitado da resposta, ele tenta por alguns instantes esquadrinhar seu conteúdo. Reflete. A coisa alguma teria chegado, não lhe houvesse ocorrido um velho ditado judeu que ele então inventou para a situação: Entre dois caminhos, escolha-se um terceiro. Fazer-se de tonto, fora de vista. Entender a maldita aventurança! nem pensar...Certo. Franze a testa, sorrisinho amarelo, assim; entre inocência e perfídia apunhala:
          —São o que são. Mas, e os que... da América-Latina são?
          Escândalo! A multidão, para variar, está assombrada. Aí, porém, a mesma insídia que fulminara de morte Garibaldi linhas atrás sequer apara a pronúncia do profeta, ao que este conclui de imediato e triunfal:
          —Estes, os latino-americanos? Eles que dêem um jeitinho. Não é?
          Revelação. Armendaris se dá conta que nada mais tem a aprender no mundo. Confere o relógio, dá um jeito na roupa, dá um jeito na barba, e despede-se da Judéia ainda com todo o jeito. Guarda o jeito no bolso, e arruma um jeitinho de chegar ao Panamá a tempo de encontrar o Ferdinand.
          O encontro é antológico nos livros didáticos de Portugal:
          —Atrasado?
          —Por quê..?
          —Pois, comecemos?
          —Por quê?
          —Desistimos?
          —Por quê?
          —Por que o porquê?
          —Porque não sei de que...
          Donde se poderia tirar a melhor explicação histórica para os atropelos e atrasos que permearam a monumental abertura do Canal do Panamá, se tudo não fosse atribuído, e com muita verdade, ao surto endêmico de febre amarela, do qual, à época da chegada de Armendaris, poucos velhos se lembravam. Assim, só restou mesmo a Ferdinand o "sinto profundamente informar..." que o canal concluíra-se a mais de três quartos de século, e, se ia ficando, era para ver se conseguiria levar um desses chapéus de que tanto falam...
          Que comprasse um panamá! que levasse mil sombreiros ,uma mitra se conviesse. Perder mais tempo não, para quem estava em expediente. Fazer a América, ver Nova Iorque: sonho da nação e de todos era o projeto de Armendaris para os minutos finais do almoço. E é aqui que vai terminando este breve relato e tendo início o meu apelo.
          Eram os primeiros meses da instalação da estátua da liberdade. Havia apenas o buraco ainda.
          Pois tendo ele, com um jeitinho todo especial, burlado a impenetrável imigração norte-americana, chega a Nova Iorque após inaugurar em Miami, antes mesmo do primeiro cubano, a simpática e folclórica entidade do imigrante ilegal na América. E foi encorajado por um brasileiro operário sobrevivente da lenda dos soterramentos da Ponte Rio-Niterói, que ele arrojou-se a buscar, nos alicerces da estátua, a água bastante para molhar o nordeste do Brasil. Porque aquilo haveria de ser o poço do mundo, testemunhou-me o próprio operário, o qual —saberia lá seus motivos— porfiou-se renitente em dizer que era natural do estado do Piauí, aonde eu teria de ir logo se quisesse conhecer, e deveria querer conhecer, e inclusive "antes que acabe...". Conversamos. Colhendo esse derradeiro depoimento pude fechar o itinerário malfadado: resultou o incidente final assim trágico como esperado, ou tão mais cruel quanto previsível: o poço por baixo, as pedras pregadas em cima, o homem no poço, o poço não é poço, e o nordestino brasileiro (como sempre) de balde gritando. Armendaris pôde então sofrer todo o peso que um latino-americano pode sofrer com a liberdade ianque no lombo, e, "God bless America!", a banana que desde o refeitório guardava no bolso com o jeito, a esta hora já estaria passada, pois não resistiu. Patético: latino, em Manhattan, preso pela liberdade, lambuzado de banana podre.
          Nisso, acabava o horário de almoço. Como ele não voltasse, nosso chefe me mandou à cata dele, sendo imprescindível a sua atividade na seção (já é notado quão abjuradamente faz jus ao nome que tem), pela sobrecarga do pós-greve. Assim foi que me interei de todos estes acontecimentos e, estando de passagem pelo Rio de Janeiro, na Confeitaria Colombo, li a respeito de uma considerável soma em dólares como prêmio dum concurso literário. A verdade é que não vai ser muito fácil livrar meu colega lá de baixo da Estátua da Liberdade, por isso tenho fé no concurso... Todavia, um apelo é válido:
          Rogo em favor do cidadão dominicano Armendaris Fuentes Mudimbe de Orleans y Trompovsky y Romanov y Kurosawa (filho bastardo de todas as nações) que ajudem, estando ao alcance, por meios quaisquer. Dêem vida nova àquele, e um epílogo feliz a esta estória.

Marcos Satoru Kawanami
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

if Rudyard Kipling and i found ourselves together



If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream — and not make dreams your master;
If you can think — and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings — nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run —
Yours is the Earth and everything that's in it,
And — which is more — you'll be a Man my son!

Rudyard Kipling


QUANDO

Quando tudo na vida parecer perdido;
quando tu despencares na dura verdade,
sentindo os dissabores da realidade
contra teu sonho, para sempre abatido;

quando os teus amigos te derem as costas;
quando da amizade tu mais precisares,
mas este bem fugir esquivo pelos ares,
e o mundo sem sentido não te der respostas;

quando a derrota for triunfante e total,
faltando-te a saúde física e mental
para que te defendas de toda opressão;

quando enfim só restar-te amarga solidão,
não peças a mundana ou celeste clemência,
pois tens um bem maior: a tua consciência.

Marcos Satoru Kawanami
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

maria-várzea sim, gosto muito.

Maurine Dorneles Gonçalves
joga na Seleção Brasileira de Futebol Feminino
já fez gol olímpico este ano pelo Santos

SONETO SHOELESS

No afã de superar minhas manias
de símio faniquítico cristão,
adotei como pai o velho Adão,
e fui circuncidar tudo o que eu via.

Eu quis Raquel, porém casei com Lia,
e ainda de pastor servi Labão;
topei com boi chifrudo em contra-mão,
lançando as bases da Cornogonia...

Corinthiano sou, e não santista,
porque não vi jogar o rei Pelé
que teria me feito um vitorista!

Eu gosto de louvar mesmo é o Mané,
o sumo do resumo idealista,
eu gosto é de mulher que tem chulé!

Marcos Satoru Kawanami
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note bem: "de pastor servi Labão", mas sou Católico. e leigo. 
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"A ambição é o último refúgio do fracasso."
(Oscar Wilde)


Alphonsus de Guimaraens teve 15 filhos legítimos, porque foi o solitário de Mariana; imagine então se fosse o bem-amado...


O nerd é tão ocupado em descolar uma garota, que ele não tem tempo a perder com "opção sexual".


"Escrevo à cegonha todos os dias, mas acho que ela seja analfabeta..."
(Pangloss, na torcida corintiana dos Gaviões da Fiel, procurando alguém que escreva em alfabeto aviário)


Minha mulher fez uma chamada interurbana, e mandou o técnico da Seleção, Mano Menezes, fazer o Paulo Henrique Ganso jogar enfiado. A ligação estava ruim. Foi mó vexame escutar ela berrando no telefone: Enfia o Ganso! Enfia o Ganso, porra!
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LINK: zagueira Bagé e o amistoso Brasil x Chile

domingo, 9 de janeiro de 2011

Tu deste uma pintada, já?

"CONCEPÇÃO" óleo 2004 - desenho de 1992
Então, foi assim, o boto botô em mim...


"HUNG? HANGED!" - óleo 2004 - desenho de 1992
A veadagem da condição humana. Morte inevitável. Se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega; existe frase mais aveadada que essa? Dupla força gravitacional seletiva?


"ALFA E ÔMEGA" - óleo 2004
Nem nome de estrela, nem marca de relógio, nem inscrição de cemitério. Pega a Bíblia, começa no Gênesis... e vai até achar. Não vale procurar em Wikipédia, ó pá!
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A PRAÇA




A PRAÇA

Hoje eu acordei
Com saudades de você
Beijei aquela foto
Que você me ofertou
Sentei naquele banco
Da pracinha só porque
Foi lá que começou
O nosso amor...

Senti que os passarinhos
Todos me reconheceram
E eles entenderam
Toda minha solidão
Ficaram tão tristonhos
E até emudeceram
Aí então eu fiz esta canção...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...

Beijei aquela árvore
Tão linda onde eu
Com o meu canivete
Um coração eu desenhei
Escrevi no coração
Meu nome junto ao seu
Ser seu grande amor
Então jurei...

O guarda ainda é o mesmo
Que um dia me pegou
Roubando uma rosa amarela
Prá você
Ainda tem balanço
Tem gangorra meu amor
Crianças que não param
De correr...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...

Aquele bom velhinho
Pipoqueiro foi quem viu
Quando envergonhado
De namoro eu lhe falei
Ainda é o mesmo sorveteiro
Que assistiu
Ao primeiro beijo
Que eu lhe dei...

A gente vai crescendo
Vai crescendo
E o tempo passa
E nunca esquece a felicidade
Que encontrou
Sempre eu vou lembrar
Do nosso banco lá da praça
Foi lá que começou
O nosso amor...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...(2x)

(composição: Carlos Imperial)
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