segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

soneto à moda da casa


SONETO À MODA DA CASA
                                         para Vinicius de Moraes

Não comerei da alface a verde prega:
eu nunca fiz questão de andar na moda,
ser vegetariano me incomoda;
um lombo, uma chuleta... não se nega.

Quem desde tenra idade se apega
à mania fraterna de na roda
botar o seu jiló, rapaz!, à poda
de tudo quanto é pau faz vista cega...

Meu lado ecologista, já, preserva
os paus no seu lugar, dentro da mata,
e as cobras se escondendo pelas moitas.

Concordo com Vinícius: comer erva...
além de coisa insípida, é chata,
pra quem já lambuzou-se em carne afoita!

Marcos Satoru Kawanami
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Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes
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