sábado, 27 de novembro de 2010

no princípio, era o Verbo...

Mercado Ver o Peso, acrílico de Temito
         O ato é convencional, a vontade é absoluta. A mesma vontade pode se manifestar diferentemente em atos diversos. Pois todo ato depende da matéria, e resulta de uma vontade. E, se todo ato resulta de uma vontade, no encadeamento de atos e vontades fisiológicas cerebrais a se induzirem mutuamente, a Origem desse encadeamento é uma Vontade sem ato precedente (vontade alheia a qualquer convenção material), que desencadeou todos os atos e vontades fisiológicas cerebrais; portanto, essa Vontade não pode ter origem fisiológica cerebral: a alma do índio botocudo.
Blue Forest, acrílico de Temito
         Do contrário, o funcionamento cerebral seria algo sem começo, que sempre existiu materialmente? Mas a Matéria existe a partir de quê? Mesmo que a Matéria sempre tenha existido, os atos da Matéria, à semelhança da fisiologia cerebral, têm origem numa Vontade; senão o Universo seria um moto-perpétuo, que é um conceito do Mundo Ideal já exaustivamente descartado do Mundo Material.
         “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito de tudo o que existe.”, diz o capítulo 1 do evangelho de São João.


Marcos Satoru Kawanami
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"Pau que bate em Chico, bate em Francisco."
(Flávio Prado, em declaração tão afetada de afecto pelo meu confrade da Fazendinha, que expandiu-se o círculo central do meu órgão cocognitivo; ói,  fiquei até gago!)
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cien años de soledad - El amor en los tiempos del cólera - Gabriel García Márquez - el Gabo - GGM - Geração Roubada - Stolen Generation - Geração Perdida - Cem anos de solidão - O amor nos tempos do cólera



GERAÇÃO PERDIDA

Eu bem sei que tu bem sabes,
se o passado não mais volta,
se o destino não nos cabe
revirar como quem solta
perfume de flores mortas,
vamos cultivar a horta
sem flores, perfume, abelhas...
Porque as joviais centelhas
do teu semblante senil
são a zorra na masmorra,
a pólvora e o pavio.
E brincamos na modorra
do nosso jardim sem flores,
sem juventude, sem rima.

Marcos Satoru Kawanami
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versão original:


GERAÇÃO PERDIDA
para Fermina Daza

Eu bem sei que tu bem sabes,
se o passado não mais volta,
se o destino não nos cabe
revirar como quem solta
perfume de flores mortas,
vamos cultivar a horta
sem flores, perfume, abelhas...
Porque as joviais centelhas
do teu semblante senil
querem pica, pedem porra,
dizem puta que o pariu!
E fodemos na modorra
do nosso jardim sem flores,
sem juventude, sem rima.

Marcos Satoru Kawanami
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010


Eh, Tosquera!

A unha é coisa tosca, casco humano
que as mulheres ocultam sob o esmalte;
mas ai de quem a unha se lhe falte
nos afazeres do quotidiano.

Joelho, tosco vinco soberano
até nas damas de subido malte
cujo donaire à vista sempre salte
nas fotos peladonas, ou... sem pano.

Pênis, pois é, aquela coisa ali;
há quem “caia de anel” por ele e tudo;
mas, ao pinto, eu prefiro o bem-te-vi...

Encerro no coisico mais toscudo:
prezado por quem tem cabeça oca,
franzido, fedorento, fim da boca?

Marcos Satoru Kawanami
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"Pra ser expulso, o Richarlyson chamou o árbitro de veado. É. Só isso que eu queria dizer."
(Chico Lang, ironizando a expulsão do jogador sãopaulino, devido à suposta sexualidade do mesmo, no contexto de o tricolor paulistano ter prejudicado propositalmente o Corinthians, como conseqüência da derrota do São Paulo por 4x1 contra o Fluminense)
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Poema de Madre Teresa de Calcutá


O dia mais belo? Hoje
A coisa mais fácil? Equivocar-se
O obstáculo maior? O medo
O erro maior? Abandonar-se
A raiz de todos os males? O egoísmo
A distração mais bela? O trabalho
A pior derrota? O desalento
Os melhores professores? As crianças
A primeira necessidade? Comunicar-se
O que mais faz feliz? Ser útil aos demais
O mistério maior? A morte
O pior defeito? O mau humor
A coisa mais perigosa? A mentira
O sentimento pior? O rancor
O presente mais belo? O perdão
O mais imprescindível? O lar
A estrada mais rápida? O caminho correto
A sensação mais grata? A paz interior
O resguardo mais eficaz? O sorriso
O melhor remédio? Otimismo
A maior satisfação? O dever cumprido
A força mais potente do mundo? A fé
As pessoas mais necessárias? Os pais
A coisa mais bela de todas? O amor


Madre Teresa de Calcutá
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"Morrer se for preciso, matar jamais."
(Marechal Rondon)

Quem tem sentimento devoto a Deus, tem autoridade moral para a coragem extrema. Os corruptos não têm autoridade moral porque negam Deus, e assim chegam à covardia extrema.
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sábado, 20 de novembro de 2010

GAZETA ESPORTIVA - lima barreto - lula - brás cubas

acontece nas melhores famílias

Flávio Prado, o programa Gazeta Esportiva é muito mais chic com o Chico Lang ou o Osmar Garraffa batendo cabeça com o Celso Cardoso, do que com o dono da bola - você - fingindo que é macho só porque gosta de futebol; se for assim, a Marta é muito mais macho que ocê, e eu(!); ou cê pensa que já não sei que foi tua avó que te criou? E não adianta dizer que ama é a Macaca!, que torcer pela Ponte Preta é coisa de masoca, o que obviamente corrobora na tese do teu xibunguismo galopante, sofreado por um enrustimento futebolístico na sofismática de que futebol é para homem.
A típica maria-várzea, como minha patroa, quer é o psiquiatrismo chicolanguiano de um autêntico filho do Parque São Jorge, e não um cara que parece até meio de Campinas..., como você? Não! A gente quer é Chico Lang, o iluminado...
Osmar Garraffa é o perfeito contraponto para a cantilena kantiana de Celso Cardoso, que, em vez de cantar à beleza varonil de Michelle Giannella, canta Mi Buenos Aires Querido.
Ou seja, tio, tava bão do jeito que tava. Se eu encho o saco, é pra vocês poderem esvaziá-lo em melhor companhia, porra!
Ecco, et io ho detto.

Idário Schivaròlla
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"Com o tradutor google, até o Lula já fala Javanês..."
(Lima Barreto, em colóquio póstumo com Brás Cubas)
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

POLITICAMENTE CORRETO


Você não pode nem deve
tirar onda de bacana,
siga à risca o que prescreve
a cartilha americana:


O correto tem política
com sanção, veto e decreto;
hoje, em coro, berra a Crítica:
“politically correto”!


É medonho dar risada
de um alguém qualquer que seja;
é proibido, na calçada,
tudo o que o momento enseja.


Como é feio destoar
do rebanho que resume
o atavismo secular
que hipócrita não se assume.


Há palavras censuradas,
que não devo aqui dizer...;
pois a censura velada
é imbatível, pode crer.


Eu sempre tive o bom-senso
de nunca ofender ninguém,
e sempre disse o que penso
contra os censores também.


Fugir à regra, não pode!
Seguir a regra, não pode!
Inconformar-se, não pode!
Ser conformista, não pode!


Não pode isto nem aquilo,
não satirize uma ode,
não se pode rir tranquilo,
rir-se tranquilo não pode!


Marcos Satoru Kawanami
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"Eu não aplaudo a seleção feminina de vôlei. Elas amarelaram contra a Rússia!"
(Chico Lang, no dia em que substituiu a aspirina pela injeção de penicipica na veia bostólica)



"Eles pensam que a gente é um bando de índio!"
(Osmar Garraffa, em insite clarividente no programa Gazeta Esportiva, da TV Gazeta)
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terça-feira, 16 de novembro de 2010


Morte Motor

Tudo se faz devido à morte certa;
não existe quem não morra no mundo;
morrem: o rico, o pobre e o vagabundo;
um morre incauto..., um outro morre alerta.

A morte entra por toda porta: aberta,
fechada, pela frente ou pelo fundo;
e o medo deste tal fato oriundo,
a cada nova aurora, nos desperta.

E a consciência exata deste fado
é que nos move a sós ou em dueto
para gerar o santo e o condenado.

A morte leva o branco e leva o preto
ao planeta agitar de lado a lado;
e por ela eu escrevo este soneto.

Marcos Satoru Kawanami
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"Os cachorros, pelo que tenho visto nas paróquias mundo afora, são todos muito católicos, inclusive o Pastor Alemão."
(Frei Clemente Kesselmeier, em sua casa no Morro de Santa Tereza; talvez eu tenha traduzido mal)
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010