quinta-feira, 7 de outubro de 2010

TESTAMENTO


TESTAMENTO
O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros - perdi-os...
Tive amores - esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!


Manuel Bandeira
.

7 comentários :

Paulo Vitor Cruz disse...

cara, curto demais esses versos... uma boa recordação, desse poeta tão bacana...

abraço grande.

Ana Karenina disse...

Sim, Manuel Bandeira, faz de sua dor a dor de que o lê.

Poeta arretado!

Raysla Camelo disse...

Ai, Ai... Manuel Bandeira...

=)

tonhOliveira disse...



Manu el, the FLAG...

FLAGrante descoberta!

Grande poema

:)

Viiii disse...

Ótimo poema!

Adriana Godoy disse...

Gosto desse cara...Bandeira é o cara e você o outro! beijo

Soneca disse...

Confesso que não estou lendo muito nossa literatura, desembestei por contos russos, crê?!Comecei com O Jogador(Aleksei Ivánovitch) e não parei mais... Até a carteira da biblioteca vencer, aí foi sacanagem.

Mas Manuel Bandeira é... Manuel Badeira, ah, esse monstros da literatura que nos perseguem... A minha parte preferida é... Todas as partes!

Inté