quinta-feira, 23 de setembro de 2010

GLAUCOMATOSO
ao poeta cego paulistano Glauco Mattoso

Preso no espaço hostil da escuridão,
em órbita de massa amorfa estranha;
qual inseto cativo de uma aranha,
padece involuntária lassidão;

descrente que as virtudes poderão
(e não podem) salvar-lhe, não se acanha
e lambe o pé do algoz, sorve-lhe a ranha,
e na dor entretem a solidão.

Melhor se fosse cego desde a infância,
mas a glaucomatosa lenta herdade
roeu-lhe aos poucos, sem mostrar ganância.

Se enxergasse, porém, veria a grade
da humana condição com repugnância,
e o seu algoz também: Marquês de Sade.

Marcos Satoru Kawanami
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"Corinthians X Flamengo: o cameraman fica zureta caçando na arquibancada alguma mulé apresentável, e acaba dando um close na Vovó Macumbeira da Gaviões da Fiel."
(Nelson Rodrigues, só os profetas conseguem ver o óbvio)

"As verdades variam com a idade; mas a Verdade mesmo, nós só conhecemos na Real Idade."
(Vovó Macumbeira da Gaviões da Fiel, minha madrinha de batismo e palpiteira oficial)

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