segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CRÔNICA EMO


CRÔNICA EMO

(experientalismo ou caricatura?)

Meu nome é Rhóida, Emo Rhóida, rapaz languidamente pálido, apesar de negro como Michael Jackson, e as músicas que eu vivo a cantar têm um sabor igual, por isso é que se diz “como ele é sentimental”. Tudo começou nos meus 15 anos, quando desataram-se os sangramentos e... veio essa coceirinha, esse comichão, essa coisa de querer botar pra fora... ou pra dentro, sei lá, alargar meus círculos intelectuais e curar essa ferida que sangra nos fundilhos do meu âmago, entende?
Os dias eram chuvosos, eu morava em Pelotas, mas parecia Londres: aquele fogg, e garoa que nem a paulistana. Na penumbra eu me sentia protegido, feito borboleta no casulo, eu era a borboletinha londrina de Pelotas; no entanto pesava o sentimento do mundo sempre abafado como que por uma crosta de melancolia.
Foi então que, num acampamento, eu conheci Marcolina Schivaròla, uma japonesa de nome italiano, a qual abriu meus olhos. Tendo de defecar, limpei, ocasionalmente com urtiga, o bumbum. Enquanto Marcolina me ensinava a comer com pauzinhos, a urtiga começava a surtir poderoso efeito terapêutico no meu âmago, refletido em frases lindas, num conluio que unia-nos por um tesudo e voraz ato platônico, tipo o filme Crepúsculo.
Acho que a japa não assistiu o filme do vampiro. Não sei por quê, disse que não tinha sangue de barata, e fugiu pro Iraque com um anão do Circo de Pulgas de Carazinho.
Adeus, mundo cruel! Eu só quero um consolo, mas um consolo bem grande, o consolo de Lord Byron, mas também pode ser o de Sir Gaylord: um caixão de pinho, o pau mais vagabundo pra caixão; pois se aquela vagabunda não quis me ter, o pau vai me ter! Por meu olho, que a terra há de comer...

Marcos Satoru Kawanami
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