quarta-feira, 9 de junho de 2010

OMNIBUS IN MUNDUS - do amor cego

OMNIBUS IN MUNDUS


(DO AMOR CEGO)
Todos têm querido certezas para que estas valham em nome da verdade. Vai que a verdade seja medonha e as pessoas se apavorem, um espetáculo impróprio para menores de dezoito anos, e todos só cheguem a quinze. E se por ventura exista uma verdade absoluta, a humanidade ao berço da primeira infância nada vislumbra com mais querença que a certeza do seio materno.
Se dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem, ele amava mais que tudo uma cadela de estimação. Ele já estava bem velho e nada além lhe restava quando a cadela morreu. Duma feita, coagido pelo hábito e olvidando o recente falecimento, deitou no lugar de costume o alimento da cadela; vindo-lhe ao encontro, porém, uma gata, tomou a gata pela cadela. Quando a gata veio a dar cria em sua residência, ele ficou aparvalhado com o fato de a cadela ter parido belos e saudáveis felinos. Aos outros noticiando o referido aborto da natureza, alcunharam-no de O LOUCO. Pois aquele que em pleno gozo de suas faculdades mentais jamais lamentou a verdade, aquele nunca existiu.
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