quinta-feira, 10 de junho de 2010

OMNIBUS IN MUNDUS - da opinião alheia





OMNIBUS IN MUNDUS



(DA OPINIÃO ALHEIA)
Os outros são poderosíssimos. Terríveis e desejados, eles detêm o formidável poder da opinião.
Os outros, na multidão dos séculos, nas tempestades de areia, na poeira das estradas, no pavimento das calçadas, prosseguiam na tradição popular rumo a Santa Estóica da Resignação. Algumas, sobre a ponte de pedra ricamente esculpida, fazem sinal, ao que alguns carros lhas admitem para logo em frente as despedir sobre outra ponte vária, de madeira, e puída pelo cupim. Este artifício de passagem foi chamado profissão mais antiga do mundo, e era uma marcha de nada diferente à dos outros, e todos acabavam tendo que atravessar o rio da ponte puída.
Ela, de seu quintal de hortaliças à margem do passeio, aguarda a hora de juntar-se à turba em movimento. Esgueirando o olhar por sobre a cabeçada, esforça-se para admirar com alumbramento o vulgívago fenômeno das pontes. Não seria sincero negar que ao menos uma vez cogitou fazer o mesmo.
Ela chegou aos dezenove anos de idade, estava velha; e se até então nenhuma maldizença circulara a seu respeito, sua retidão moral nada reverberava temor para com a opinião dos outros —isso ela esclarecia com amarga arrogância. Despercebia que a opinião dos outros confundia-se com a dela própria, havendo sido parida de uma dama dentre as ilustríssimas que veria bailar no salão das eras. Da mesma sorte, aquele que afirmando pouco se tocar com a alheia opinião, aprendeu a patinar no gelo sem contar um só escorregão, aquele nunca existiu.
.

Nenhum comentário :