segunda-feira, 28 de junho de 2010

EINES BRASILIANISCHEN cap. 6

CAPÍTULO VI
Do que se sucedeu com
Harumi desde que foi levada pela família
para longe de Francisco.

Por onde andará e como estará Harumi, a amiga de infância de Francisco? O leitor deve estar curioso em saber o que foi feito de tão importante personagem na vida do nosso herói.
Advirto que ela não prosseguiu nos estudos. Em breve já era uma moça crescida. Aprendeu a lidar com os afazeres domésticos, e só aguardava um bom partido para se casar.
O senhor Hideki e seu amigo italiano tiveram sucesso com o negócio da sorveteria que abriram na cidade de São José do Rio Preto, região noroeste de São Paulo. Não havia concorrência, e a novidade virou moda, agradando crianças, velhos, cavalheiros e damas. Os lucros aumentavam a cada dia. Mas, quem pensa que com a abastança financeira a família de Harumi tinha tudo para ser feliz, engana-se.
O italiano, cujo nome, por questão de discrição, é melhor permanecer oculto, desandou a esbanjar dinheiro em festas, roupas finas e supérfluos. A princípio presenteava freqüentemente com jóias sua esposa, mas só a princípio. Logo tornou-se omisso para com a mulher, inclusive pernoitando fora de casa. Certa noite, desconfiada, ela decidiu seguir o marido: se fosse apenas um passeio à casa das mulheres públicas ela poderia até perdoar, contudo o marido tinha uma amante! Não fez escândalo; calculou friamente sua vingança; pagaria com a mesma moeda. Empreendeu seduzir o empregado do marido, o que acreditou ser o máximo de perfídia. Ora, ela era uma mulher madura, mas não tivera filhos, e permanecia deveras atraente. Hideki, que não era muito ajuizado, foi presa fácil para a mulher do italiano, quedando-se por ela loucamente apaixonado. E os dois fugiram, sumindo nos confins do estado e, quiçá, do país.
Agiu mal o senhor Hideki, e pior ainda a esposa do italiano guiada pelo ignóbil impulso da vingança. Quando Fumiko soube da fuga, nem pôde reagir, pasmada que estava; passou o dia em total silêncio; de madrugada fez-se pendurar pelo pescoço na extremidade duma corda. Harumi foi quem primeiro a encontrou morta de manhã, oscilando no quintal entre uma árvore e a casa.
O italiano pouco se importou com o ocorrido. Aceitou que Harumi fosse ocupar o lugar de Hideki na sorveteria e, para o lugar da esposa, trouxe para casa sua amante, uma viúva jovem e pródiga.
Este último predicativo da viúva levou o italiano a ausentar-se mais e mais dos negócios, volta e meia viajava a passeio à capital, até contrair dívidas, deixando todo trabalho sob a responsabilidade da jovem Harumi. Vislumbrando a falência iminente, sem vacilar ela astutamente agarra o primeiro bom pretendente e casa-se com ele, indo morar numa fazenda do município de Nhandeara.
Quase nada se sabe do marido, Oswaldo Gogliano; morreu precocemente deixando Harumi grávida. Nasceu uma menina, e os anos foram passando...

--- continua amanhã???
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