domingo, 18 de abril de 2010



PORTANTO

a Ruy Barbosa

De tanto ver vencer a nulidade
sobre o real esforço e competência;
de tanto vicejar a pestilência
num estéril jardim de humanidade;

quando mais nada vale a probidade,
e a malícia suplanta a inocência;
de tanto padecer a dura ausência
da crença no poder da honestidade;

verificando, já sem esperança,
que a única certeza é a morte rude,
e que zombam da sua confiança;

de tanto ver a ignóbil atitude,
louvada, prosperar com abastança:
o homem vai perdendo a virtude.

Marcos Satoru Kawanami
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OBS: Este poema é baseado num pensamento de Ruy Barbosa de Oliveira.
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