segunda-feira, 8 de março de 2010



SONETO RUMINANTE


Serei feliz na vida bem mesquinha,
pacata, assim medíocre, sem rompantes;
não sou desses excêntricos, mas antes
sou caipira que escreve na cozinha.

Opa!, que escreve, não; só que escrevinha
sob a luz de uma vela claudicante
a rima também sem brilho e pedante
que um guri sobrepuja ou adivinha.

O bardo chora a vida que não foi
e pôde ser. Comove realmente;
contudo, eu, rumino feito um boi

esta vidinha que improvavelmente
deveria ter sido, mas é, pois
rumino lindos sonhos... sem ser gente.

Marcos Satoru Kawanami

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Reparem que eu tive o requinte de mochar o boi antes da foto. Mochar é cortar os chifres! Outro detalhe de inestimável relevância é que o boi, na verdade, é touro, ou seja, tem testículos. Que minha avó já dizia: "É melhor ser touro brocha do que boi tesudo!".

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sacanagem à parte, a foto mimosa é do site: http://ogaratusa.wordpress.com