domingo, 21 de março de 2010










NONSENSE 7







La Nouvelle Cuisine Brésilienne


COMIDA MINEIRA:
-- Uai, quê trem esquisito, sô! Será que minha baguette não vai queimar dentro desse forno? Vou ficar pondo e tirando, por precaução...

COMIDA BAIANA:
-- Carece ser agora, meu rei?
-- Ah..., sei lá. É que depois do meio-dia eu viro Pomba-Gira, né?, minha nêga.

COMIDA PARAENSE:
-- Ubirajara, e agora?!
-- Já que entrou, foda-se. Se der merda, diz que foi o boto!

COMIDA PAULISTA:
-- Giaccomo, figlio d'Italia, aproveita que o Filho do Brasil tá fazendo piquete! E é em São Bernardo do Campo!

COMIDA GAÚCHA:
-- Mulata, loira ou morena?
-- Picanha!

COMIDA POTIGUAR:
-- Senhor, nosso cardápio é seleto: polaca, francesa, tailandesa, italiana ou finlandesa?
-- Ói, põe um pouco de cada.


PARA MOÇAS DE FINO TRATO

—Vamos foder?
—Pensa que sou puta, é?
—Não. Puta é paga pra foder. Eu não vou te pagar nada.
—Ah... bom. Então eu dou pra você.


CANTADA
-- Creio que temos alguma semelhança esotérica no plano espiritual e despombalizado do além nada...
-- Só se for o meu clitóris.
-- Teu clitóris deve ser avantajado...
-- Ou teu pênis que é de miniatura.




Dr. Erika Hist Érica
(proctologista e relações púbicas do Senado Federal)

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quinta-feira, 11 de março de 2010

j'ai fame


J'AI FAME!


Quando eu era estudante secundário (ensino médio, rapeize) na grande capital paulista, eu tinha a ingenuidade de não saber nada e pensar que sabia tudo, ou quase tudo.

Eu sabia que, sabendo ler e sabendo as quatro operações matemáticas, eu poderia aprender qualquer coisa por conta própria, sendo auto-didata: então o essencial eu já sabia. Ah, e sabia também que Isaac Newton criara o Céu e a Terra.

Eu cabulava aula no Sebo do Messias, uma enorme loja de livros usados do centro velho paulistano. Apesar de os livros serem muito baratos, só às vezes eu comprava algum; via de regra, eu ficava a manhã inteira lendo lá mesmo até dar a hora de volver a casa, onde minha avó esperava o estudante exemplar que acordava às 5:30h da alvorada, e ia a pé da Rua Frei Rolim, na Saúde, até a Estação Santa Cruz em Vila Mariana, todos os dias sem falta. Eu respeitava a velha. Quando meu pai foi aprovado na 4ªsérie, minha avó lhe fez um exame com toda a matéria do ano, no qual ele não passou; aí, ela matriculou o coitado de novo na 4ªsérie; foi escutando essa história que eu tive a primeira noção do conceito de: FODER-SE.

Não sei como é hoje, mas, naquela década de 90, os professores apenas regorgitavam o que estava nos livros didáticos; já disse que sabia ler, então, lia em casa, e ia ao sebo ler outras coisas: ora, eu só tinha 16 anos e queria saber como era o Mundo antes de ter a idade suficiente para tal propósito.

Um dos livros que manusiei intitulava-se "J'ai fame!" - "Eu tenho fome!" - não tive vontade de ler, comia bem em casa de vovó, mas isso nunca mais me saiu da cabeça.

Em 1994, ingressei no curso de Astronomia da UFRJ, e logo em seguida parti para Ouro Preto, a fim de estudar Engenharia de Minas, por sugestão de minha sábia irmã.

Passei 45 dias numa república federal da UFOP comendo somente pão-com-manteiga e café puro, até conseguir emprego nos refeitórios da universidade, onde o salário era a refeição.

Em geral, a fauna republicana gastava o dinheiro que seus responsáveis lhes mandavam com coisas fúteis e pouco estudo.

Freqüentava a república um escultor de nome Frank: mulato de olho azul e magérrimo, cheirava mal também. Logo descobri que seu nome verdadeiro era Ismael Marcelino, natural de Anápolis, uma cidade de Goiás, e que tinha olhos azuis porque sua mãe também os tinha, sendo alvíssima, enquanto seu pai era um afro-descendente do tipo creoullo tição. Chamavam-no de Frank porque o achavam deveras feio.

Desde que soube seu verdadeiro nome, eu só chamava-o por Ismael, e ele sempre queria conversar comigo porque eu tenho a pachorra de ouvir as pessoas - que nem puta de cabaré -, ao passo que os republicanos já tinham começado a menosprezar o Ismael depois que se cansaram de sua figura cadavérica.

Até que, numa noite, eu fiquei trancado para fora da república, e ninguém quis abrir a porta. Ismael estava comigo, e me ofereceu abrigo na sua casa. Chegando lá, não havia móveis na casa, só um sofá, um fogão e um guarda-comida, em que encontramos um pouco de farinha de mandioca e um único ovo. Como nós não tínhamos jantado, ele fez o ovo mexido com a farinha e colocou em dois pratos rasos, pouquíssima comida. Para minha surpresa, Ismael ainda me deu o prato com mais comida.

Passados alguns meses, eu voltava da aula quando encontrei o Ismael sentadinho todo encolhido na soleira duma farmácia. Nós conversamos amenidades, disse-me que estava tomando um pouco de sol...

Só hoje eu percebo. Careceram se passar 15 anos de ingenuidade para eu perceber: Ismael estava doente, na porta da farmácia em postura mendicante, mas sua hombredade lhe embargava a voz para dizer: "Amigo, me ajude com a conta do remédio?" ou talvez "J'ai fame!".

Marcos Satoru Kawanami

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quarta-feira, 10 de março de 2010




A BESTEIRA É A BASE DA SABEDORIA

(Falcão / Tote Matos)

Talvez seja melhor calar,
porque, falando, é meio caminho andado.
Por outro lado, eu fiz um estudo
e sei que "é melhor falar besteira
do que ser mudo".
E, sendo eu um grande entendido no assunto,
eu paro e vejo
como tem gente besta no mundo.

E sinto quão sábia é a vaca,
que segue cagando e andando
pra não fazer ruma.

Mas eu posso ver mais longe
sobre a cabeça do povo.
Mamãe diz que eu sou um pão
e o que vale é a intenção.

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Em síntese, é peça-resumo de toda a lapidar filosofia que criei, e com a qual pretendo, sinceramente, fazer frente às besteiras do genial florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527). A opção pelo reggae como ritmo de fundo nada tem a ver com o discurso atonal de Gershwin (1898-1937). Destarte reiterar: sábia é a vaca, que segue cagando e andando para não fazer ruma. Taí animal verdadeiramente humano! Também obsto deixar de registrar que razão tinha o amigo Tote ao desferir: "É melhor falar besteira do que ser mudo." No que pondero: "É melhor ouvir besteira do que ser surdo.".

Falcão, cantor cearense


Glossário
Vaca - A fêmea do touro - 25 no jogo do bicho. Famosa pelo "mói" de peitos e "pareia" de chifres.

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APOLOGIA DA BESTEIRA

Tudo o que há de perverso para a Humanidade
desde as guerras às brigas de menor instância,
qualquer hipocrisia ou beligerância,
o Mal, fadigas, farsas, vêm da seriedade.

O que é ruim se veste de sobriedade;
os crápulas, na sua eloqüente jactância,
vestem com gozo o ledo dólman da elegância,
mas deixam sempre rastros de calamidade...

Por outro lado, que mal fez algum mendigo
ou fanfarrão ou ébrio sem qualquer valia?:
examinando a História, lembrar não consigo...

Por mim, o siso nunca mais existiria:
a severidade é fábrica de inimigo,
já a Besteira é a base da Sabedoria!

Marcos Satoru Kawanami
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segunda-feira, 8 de março de 2010



SONETO RUMINANTE


Serei feliz na vida bem mesquinha,
pacata, assim medíocre, sem rompantes;
não sou desses excêntricos, mas antes
sou caipira que escreve na cozinha.

Opa!, que escreve, não; só que escrevinha
sob a luz de uma vela claudicante
a rima também sem brilho e pedante
que um guri sobrepuja ou adivinha.

O bardo chora a vida que não foi
e pôde ser. Comove realmente;
contudo, eu, rumino feito um boi

esta vidinha que improvavelmente
deveria ter sido, mas é, pois
rumino lindos sonhos... sem ser gente.

Marcos Satoru Kawanami

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Reparem que eu tive o requinte de mochar o boi antes da foto. Mochar é cortar os chifres! Outro detalhe de inestimável relevância é que o boi, na verdade, é touro, ou seja, tem testículos. Que minha avó já dizia: "É melhor ser touro brocha do que boi tesudo!".

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sacanagem à parte, a foto mimosa é do site: http://ogaratusa.wordpress.com

sexta-feira, 5 de março de 2010



BOTECO DO ARLINDO



"As autorias das citações são garantidas pelo mestre Pangloss."
(Cândido, o otimista)


"Quando uma jovem freira da Albânia começou a tratar doentes na Índia, o ambulatório, muito pobre, tinha só um termômetro, e era um termômetro retal, daqueles que se introduzem no esfíncter do intestino reto, vulgo cu. Chamava-se a jovem freira Teresa, e, quando o termômetro sumia, todos a ela acudiam: -Teresa, em qual cu tá?- E hoje ela é conhecida mundialmente como Madre Teresa de Calcutá."
(William Bonner)


"Não poderá prevalecer a PAZ na Terra, enquanto existir o aborto. Porque é uma guerra contra as crianças. Se aceitarmos que uma mãe mate seu próprio filho, como poderemos dizer para outras pessoas que não matem uns aos outros?"
(Madre Teresa de Calcutá)


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quinta-feira, 4 de março de 2010




MUSA FRANCA


Poetas, poetinhas e punhetas
resultam na libido de escrever:
explosão da vontade de se ter
liberado o caralho ou a boceta.

A casta siririca da ninfeta
não deixa seu cabaço se romper,
e o tolo bardo quer fazê-la crer
que jamais lhe escreveu pensando em greta.

As canções que no rádio sempre tocam,
tão falsas que me deixam paranóico,
abusam do eufemismo e me provocam.

Assim, na sina de poeta estóico,
à musa franca que outros nunca evocam
empunho a minha pica em verso heróico!

Marcos Satoru Kawanami

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terça-feira, 2 de março de 2010



NONSENSE 6



Todas as citações deste post são atribuídas aos seus verdadeiros autores. Juro pelo cabaço imaculado da Dercy Gonçalves!


A diferença entre a rapariga intelectual que freqüenta um consultório de psicanálise e a rapariga que limpa a privada do consultório de psicanálise é que a rapariga intelectual tem personalidades múltiplas e um orgasmo na vida, enquanto que a rapariga que limpa a privada do consultório tem uma personalidade na vida e orgasmos múltiplos.
(Carl Gustav Jung)



Quem não é nada, não sabe nada, não faz nada e pensa que pensa melhor que os outros: este é que se chama de intelectual.
(Antônio Ermírio de Moraes)



Se até os nazistas cínicos dos Estados Unidos elegeram um presidente afro-negão do tipo creoullo, eu acho que a gente, que nunca teve lei racista depois da Abolição, deveria eleger a Marina Silva, uma caboclinha representante da autêntica mulher raimunda brasileira!
(Fernando Gabeira, presidente do PV - único partido que apóia a Campanha Ficha Limpa)




CALA A BOCA!

O que eu falo não se escreve,
o que escrevo não se fala.

Dever muito não se deve,
a gargalhada é que cala
o pranto da vida breve.

O que eu falo não se fala,
o que escrevo não se deve...

Marcos Satoru Kawanami

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