sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010



SONETO DE NASALIDADE

a Vinicius de Moraes

De tudo ao meu nariz serei atento;
e tanto e pouco e no jamais e antes,
que mesmo em face de dois elefantes
mais cause minha tromba alumbramento.

Por ele hei de viver sempre asmático
de assoar minha alma, e escarrar sua escória;
enamorado e não menos pneumático...
da sublime função respiratória.

E assim, quando mais tarde me procure
quiçá o vexame, angústia de quem vive,
quiçá a rinite, conforme Deus mande;

possa eu me dizer do nariz (que tive):
que não seja imoral, inda que grande,
mas que seja aquilino, e não pendure.

Marcos Satoru Kawanami

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ilustração do site: http://portaldoprofessor.mec.gov.br