quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010











Jacó e Raquel


“Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela”
(Camões)





Sete anos pondo fé Jacó bebia
cachaça por Raquel, caipira bela;
mas não bebia só, e sim com ela,
porquanto embriagá-la pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava contentado na esparrela;
porém a moça, usando de cautela,
jamais se embriagava, só fingia.

Vendo o pinguço, assim, que com enganos
sempre escapava sóbria a sedutora,
pudicamente e nada doidivana,

despenca-se a beber outros sete anos,
dizendo: —Mais bebera se não fôra
para tão grande amor tão pouca cana!

Marcos Satoru Kawanami
.

16 comentários :

Reflexo d Alma disse...
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Reflexo d Alma disse...

oltando a vida normal
e vindo ler um pouco voce
como faço sempre
e

Vindo deixar bjins e minha provocação...
" Mas só percebe
quem aceita a
pro-
vo-
ca-
ção...

Catiaho/ Reflexo d' Alma entre delírios e delírios

Mirse Maria disse...

Que beleza de soneto, Marcos!

Esperta, a moça! Isto não consta na Bíblia, mas A M E I!

Beijos

Mirse

Adriana Godoy disse...

Marcos, vc é o rei das paródias camonianas. Desde pequena, meu pai me recitava esse poema e sei de cor. Ele era leitor ardoroso de Camões e sabia Os Lusíadas de cor. Bastava falar um verso que ele recitava o resto. Vou ver se decoro esse aí também..hehehe.

Gostei muito, é muito amor pra tão pouca cana...muito bom. beijo.

tonhOliveira disse...
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tonhOliveira disse...
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tonhOliveira disse...



classiC!

Elga Arantes disse...

muito bom, mesmo...

alguém tem que descobrir...

Ray disse...

Marcooooos-cururu-fornecedor de esterco! hahahaha
Saudades de vc, xu!

Um beeeijo e, nem preciso dizer que o soneto é massa, né? rs.

beeeijo!

Gabriela disse...

Você é muito bom.
Dessa vez, definitivamente, me ganhou.

*eu ainda penso numa vida dedicada a vocação cristã.Você desisiu pra casar?

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Fabrício Carpinejar. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Eu sei que é ridículo da minha parte te mandar essa propagando control c control v, mas sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas no blog Fabrício, estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs


Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

Marcos Satoru Kawanami disse...

Gabriela,

Podemos seguir nossa vocação cristão de várias formas:

- quando fui estudante secundário, evangelizei na Pastoral da Catequese.

- quando fui estudante de terceiro grau, evangelizei pelo exemplo quotidiano de humilhação em nome da Fé, e pelas palavras contraditórias ao meio estudantil; fui também amigo de um escultor indigente, que mesmo não tendo móveis em sua maloca, às vezez pagava refeições para mim, e me abrigou de madrugada quando fui trancado para fora da república federal onde eu residia em Ouro Preto, Minas Gerais.

- a Igreja tem pedido vocações Matrimoniais neste tempo de desagregação familiar, de modo que eu me casei.


isso não significa que eu seja a caricatura do Beato. pelo contrário, sendo humorista, falo muita abobrinha, que é o regalo da vida.

Mile Corrêa disse...

Cara, você é bom!
Faz mágica com as palavras! *-*

Viiii disse...

Adoro seus poemas!!
Mas só Deus sabe quando terei tempo para ler Camões, assim poderei com deleitar-me ainda mais com os seus sonetos.
Abraços

Mary_Flor disse...

Lindas palavras!!!

ótimo blog!
Beijos =*

BAR DO BARDO disse...

Lagartixa pândega!

Ego, hic et nunc!