segunda-feira, 25 de janeiro de 2010



A COISA

à noiva morta de Alphonsus de Guimaraens

Coisa coisal, coisinha casual...
Coisona, que coisa mortal, que morte!
Enxoval de mortalha sepulcral
Ao léu, na Penumbra, da vida a Sorte...

Em brancas nuvens agora eternal,
Suspensa nos adocicados sons
Sem o peso das coisas do coisal...
Na harmonia veludosa dos bons.

Coisa angélica, gélida coisinha...
Absoluta coisona de um rapaz,
Meu choro cinza, triste Coisa minha...

Coisal esperança, aliança, paz!
Pertinentemente complementar,
Coisinha essencial ao pé do altar.

Marcos Satoru Kawanami

.
ilustração: The Somnambulist, óleo sobre tela de John Everett Millais (1871)