segunda-feira, 25 de janeiro de 2010



A COISA

à noiva morta de Alphonsus de Guimaraens

Coisa coisal, coisinha casual...
Coisona, que coisa mortal, que morte!
Enxoval de mortalha sepulcral
Ao léu, na Penumbra, da vida a Sorte...

Em brancas nuvens agora eternal,
Suspensa nos adocicados sons
Sem o peso das coisas do coisal...
Na harmonia veludosa dos bons.

Coisa angélica, gélida coisinha...
Absoluta coisona de um rapaz,
Meu choro cinza, triste Coisa minha...

Coisal esperança, aliança, paz!
Pertinentemente complementar,
Coisinha essencial ao pé do altar.

Marcos Satoru Kawanami

.
ilustração: The Somnambulist, óleo sobre tela de John Everett Millais (1871)

8 comentários :

Marguerita disse...

Prefiro acreditar que a criação humana foi um ato de bom humor!

Bjos

Mirse Maria disse...

Segunda vez que compreendo o real sentido da palavra mortalha.

Será que existia isso?


Muito bom sua morta casual.

Beijos

Mirse

Gabriela disse...

Duas coisas:
-palmas para a última frase
-o simbolismo é mesmo envolvente.

*Respondendo: Se a literatura é sempre ancorada no real, apesar de deformá-lo, penso que a poesia tem que virr de algum lugar,não?!
Não é impossível de encontrar poesia na prática, o diga a Dona Adélia Prado.

Um abraço.

tonhOliveira disse...



Que coisa!

Abraços!

Elga Arantes disse...

como diria o Kiko, do Chaves:

"que coisa, não?!!"

Adriana Godoy disse...

Menino, gostei desse negócio...bom estar de volta. Bj

BAR DO BARDO disse...

Coisiquinha elegalante!

nina rizzi disse...

eu já escrevi um conto pr'ela tummém. qualquer dia desses posto.

naqwuela postagem da bahia tinha a saudade do caymmi, mas era pra clicar na imagem... rsrsrs

beijo.