quinta-feira, 19 de novembro de 2009


A VIZINHA


Não segui o conselho da vizinha
para eu não tocar mais no trompete
(vizinha mulher em tudo se mete),
e assim toco no quarto e na cozinha.

Digo que toco mal... —modéstia minha,
porque, se as notas são apenas sete,
eu estou dentro do que me compete:
assopro a escala desde manhãzinha.

A vizinha já pensa em se mudar.
Será que o trompete é muito estridente?
Outro instrumento, pois, hei de tocar!

Tocarei tuba, que é bem imponente.
E que a vizinha vá se estrumbicar
no Inferno, com a bunda num tridente!

Marcos Satoru Kawanami
.

9 comentários :

Mirse Maria disse...

Muito BOM, Marcos!

Já passei por isso! Minha caçula quando morava aqui, ensinava canto lírico. Imagine aquelas escalas. E o atual marido trazia os companheiros com todos os instrumentos.

Os vizinhos, eu fingia que não via, fazer o que?

Continue tocando!

Beijos

Lindo soneto!

Mirse

Lara Amaral disse...

hehehe...

Sua ambiguidade é a melhor!

Abraço.

Elga Arantes disse...

Engraçado, eu quase nunca sei o que falar dos seus escritos. Tenho medo de dar manota!!! Acho escrever em versos uma coisa tão erudita, tão de elite, tão longe de mim. Tenho medo que minhas impressões sejam toscas demais perto da capacidade de rimar ou 'desrimar' propositalmente de forma tão exata...

Fim.

Adriana Godoy disse...

Marcos, vc gosta de pegar num trompete???

Ana Karenina disse...

Oh, Yeah!
Morte às vizinhas chatas!

nina rizzi disse...

rsrsrsrs... ai, que maldade, coitada! já teve um vizinho assim? minha filha, de três anos, noutro dia disse: "ai, mãe que povo chato com essa música, né mãe? ô mãe, compra um povo mais legal pra nós?" rsrsrs...

seu poema me lembrou que a vizinha de baixo do bandeira comprou um sagui, quando o comentário musical deveria ser apenas o sussurro sinfônico da vida civil...

aah, sim, não comprei um povo novo, mas, que sorte, meu atual vizinho só ouve música clássica.

um beijo.

Soneca disse...

Que coisa não.
A música não pode ser proibida ou limitada, oh yeah ;D
Dá um CD de Jazz para ela, resolve.

E continue tocando!
aiaiuiui, isso ficou suspeito...

Inté

Marcos Satoru Kawanami disse...

Mirse,

eu tocava na banda do colégio.



Larissa,

tô fora de ambigüidade com esse troço...



Elga,

tenho dificuldade de escrever prosa, habituei-me a resumir em 14 versos.



Adriana,

ultimamente brinco no cavaquinho.



Ana,

na verdade, ela é minha amiga.



Nina,

a música popular é a (r)evolução da música clássica.



Soneca,

vc toca?



beijó(K)awanami

Kátia Ruivo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

criativo e bem-humorado!!!