sexta-feira, 3 de julho de 2009









Soneto de Santos Dumont


No alegre turbilhão da juventude,
no esplendor do motor por explosão,
em meio de projetos a efusão,
criar o aeroplano então eu pude.

Crente no ser humano, na virtude,
tudo era festa!, tudo empolgação,
“belle époque”..., ninguém pensava não
que Marte conspirava oculto e rude.

Veio a guerra, o carrasco do progresso?;
talvez não, pois usou-se o aeroplano:
não o inventasse, agora triste eu peço!

Somente o ser humano é desumano...,
e, assim, por suicida eu quis ingresso
na morte-símbolo do ser humano.

Marcos Satoru Kawanami

.

14 comentários :

Adriana Godoy disse...

Uma referência poética às possíveis angústas de Santos Dumont, estruturadas em um belo soneto. Gostei.

PS; Obigada por sua visita.

Paola disse...

E os americanos ainda tem coragem de falar que criaram o avião.. tsc tsc bando de filho da...
Esse cara era um gênio,mas também era um homem com temores, fato.
Não sou mt ligada em sonetos,mas ficou bom e bem claro.

Inté
ps: E ele ainda criou o relógio de pulso \o/

Calila das Mercês disse...

Um dos caras que mais adimiro...
Você sabia Marcos que ele era gay??

Tem um grupo aqui no Brasil que estuda temas, como teoria queer, que descobriram...

Interessante, não é!?

Saudações

Marcos Satoru Kawanami disse...

Calila,

se ele era gay, isso ele não vai assumir nunca!


=D
marcos

Marcos Satoru Kawanami disse...

Paola,

essa parada do relógio de pulso é controversa.

um tal de Blaise Pascal usava um relógio de bolso, mas amarrado na munheca; aí, sei lá, foi ao menos um precursor, né?

a injustiça histórica com nosso concidadão, sim: só na Ibéria e na França é que o reconhecem como o pai do avião.

inté
marcos

Cadinho RoCo disse...

O pai da aviação era um sujeito sensível demais.
Cadinho RoCo

Marcos Satoru Kawanami disse...

Cadinho RoCo,

realmente ele era sensível e inteligente.

eu tive a felicidade de trabalhar na cidade de Dumont, onde era a fazenda de Henrique Dumont, pai dele.

conheci a casa onde viveu o Alberto menino, vi as fotos de infância, soube do gosto pelas mulheres...

enfim, só acredito que ele era homossexual, se ele me escrever isso de próprio punho e com firma reconhecida em cartório. rsrs

hoje em dia, pegam um defunto, e ficam querendo arrancar confissão. eu sei que a imprensa inventa coisa, porque um amigo não quis dar entrevista, e o repórter então falou: "já que vc não diz nada, eu vou escrever aqui que vc disse tal e tal". cara, isso é doideira.

Mıss Mαb. disse...

Incrivel interpretação da angustia alheia.
É muito dificil um humano conseguir ver tão bem a dor dos outros e não a propria.
Parabéns! :*

http://chocolatebitter.blogspot.com/

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

A escada que ele fez para a casa dele em Petrópolis é uma poesia esculpida...e bem humorada!

Passarinho (que, por voar, sempre nos deixou invejados) quando canta não é prá fazer musiquinha, não! É para demarcar território!

Se o passarinho, que é o passarinho, faz guerra, a gente não ia fazer?

A gente só não aprendeu ainda a guerrear POR (direitos das pluralidades, liberdade de pensamento, por acesso irrestrito às artes, por qualidade de vida para todos, etc.) ao invés de guerrear CONTRA (nós mesmos, nossa dignidade)...
BJS!

Rafael disse...

Legal esse poema "do" Santos Dumont!
Gostei também dos seus Nonsense!
Se puder vai no meu blog, gosto de escrever coisas nonsense surrealistas... (eu acho)
Abraço

Eloisa disse...

Gostei do soneto Marcos, admiro muito Alberto Santos Dumont, tanto pelo aviao como pelo relogio de pulso. rere (:

Abraco*, Elo!

comme des habitudes disse...

olá. me chamo leandro e por acaso vi seu blog navegando. achei super interessante. adoro poesia. o meu é um misto de história, filosofia e cultura geral. se quiser pode me seguir. abraços!

BAR DO BARDO disse...

cuidado quando 'incorporar' suicidas...

Sunflower disse...

E os americanos até isso querem roubar.

beijas