sexta-feira, 27 de março de 2009



Soneto pós-moderno do adeus definitivo





A névoa do silêncio é tão densa
que sinto o triz do adeus definitivo.
Minhas palavras morrem na sentença:
-Morri, adeus, não salve meu arquivo!

Deletar a saudade, tua presença,
é pôr no coração vácuo afetivo.
A razão corrobora e inda me imprensa:
-Morreu, adeus, o morto cinge o vivo!

Se não há par, irei salvar-me como?
Vivente, eu me formato como morta
e ponho uma redoma em torno à dor.

Emprestado do breu o luto eu tomo
e faço uma incisão em minha aorta.
Teclas líricas morrem. Adeus, amor!

Rita Moutinho

.

6 comentários :

Eloisa Faccio disse...

Gostei desse poema. Lembrei-me do Pequeno Principe neste trecho: "[..] e ponho uma redoma em torno à dor."
Ele colocava um redoma em torno de sua flor.
Abraços, Eloisa!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Elô,

Eu lembro desse trecho. Faz mais de 20 anos que li esse livro!
Minha memória é boa: lembro de tudo o que me recordo. haha

=D
Marcos

Eloisa Faccio disse...

Haha, lembro de tudo que recordo é ótima!
Se eu começar a ler o livro de novo nesse fim de semana vai para a quarta vez que o leio. Eu adoro ele, é cativante. Me sinto melhor ao lê-lo! hihi :)

Marcos Satoru Kawanami disse...

Elô,

Pena que o filme não tenha saído tão bom quanto o livro.

Nathália disse...

Dizem que alguns silêncios são ensurdecedores.
E o pior é que é verdade.

Eloisa Faccio disse...

Não cheguei a ver o filme Marcos!
mas geralmente é assim, o filme nunca fica tão bom quanto o livro. mas deve ser porque no livro voce tem livre interpretação, no filme não é tão livre assim! eu acho..
Abraços!