sexta-feira, 27 de março de 2009



Soneto pós-moderno do adeus definitivo





A névoa do silêncio é tão densa
que sinto o triz do adeus definitivo.
Minhas palavras morrem na sentença:
-Morri, adeus, não salve meu arquivo!

Deletar a saudade, tua presença,
é pôr no coração vácuo afetivo.
A razão corrobora e inda me imprensa:
-Morreu, adeus, o morto cinge o vivo!

Se não há par, irei salvar-me como?
Vivente, eu me formato como morta
e ponho uma redoma em torno à dor.

Emprestado do breu o luto eu tomo
e faço uma incisão em minha aorta.
Teclas líricas morrem. Adeus, amor!

Rita Moutinho

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