segunda-feira, 30 de março de 2009

memória do futuro






MEMÓRIA
DO
FUTURO



Era um retrato cinza, preto e branco...
do tempo dos antigos, de primeiro,
quando a morte assombrava o mundo inteiro
e o fuzil vitimava a cada tranco.

Em uma vila, à beira de um barranco
de escombros e despojos de guerreiro,
tendo ao fundo o adejar de um bombardeiro,
chorava uma criança sobre um banco.

Fechada a boca, lágrimas desciam
silentes sobre o espelho da lembrança,
e no sangue do chão se diluíam...

É toda a espécie humana esta criança,
e as lágrimas que dela se esvaíam
sustentam nova edênica esperança.

Marcos Satoru Kawanami


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5 comentários :

Eloisa Faccio disse...

Ao ler o poema de imediato me veio a mente aquela foto bem famosa da guerra do vietnã, fiquei triste.
Abraços!
Esta foto:
http://www.pco.org.br/revista_digital/imagens/junho/vietna1-04.jpg

Fee disse...

Marco, Marquin, Marcola,

Eu tenho medo do futuro, às vezes! Estava até pensando, dia desses, se é justo parir, no andar da carruagem...

Nem preciso dizer, mas digo: Lindo soneto!

Beeeijos :O)

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

CRIANÇAS; NOSSA ÚNICA UTOPIA PLAUSÍVEL...
Pena que nem todos vejam.
Parabéns pelo texto e por ver!
BJS!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Elô,

Aquela foto do Vietnã era a ideal para este post. A foto que coloquei, no entanto, é de um bombardeio sobre a Alemanha, que foi arruinada, mas conseguiu se reerguer.

Fee,

Parir ou não parir, eis a questão?


Christina,

Certamente as creanças sempre foram signal de uthopia.

=D
Marcos

Fee disse...

rsrsrs Quem faz Letras reconhece de longe a intertextualidade, não é?!