segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

SONETO FEROZ

SONETO FEROZ

Eu não quero o lirismo comedido,
como já disse o velho e bom Bandeira;
eu não quero a bandeira brasileira
entre tantas de um mundo dividido.

Eu quero o amor geral, o Amor perdido,
difuso, tão confuso, assim sem eira
nem beira, só a vontade prazenteira
de viver sem jamais ser iludido.

Eu não quero este mundo decadente
que se ufana a dizer ser progressista
num suicídio lento, enquanto mente.

Eu quero é o ideal surrealista,
a doida sanidade do demente,
a lúcida loucura do autista!

Marcos Satoru Kawanami
.

10 comentários :

Isabelle.C. disse...

quando tu dissestes para eu er alguns erros de digitação, é em qual sentido?
Fico grata quando me corrigem, pedem para reformular algo confuso, ajeitar pontuação, alterar, as vezes, algumas repetições...

E, eu quero o amor. O amor não oficializado, o nao conceituado. O amor que não é instituição.
Ah, só amar e pronto.

beijo torto marcos!
e o chapéu tá lhe mandando um abraço literário!

Nathália disse...

"Eu quero o amor geral, o Amor perdido,
difuso, tão confuso, assim sem eira
nem beira" Extremamente lindo!

Com certeza, ninguém mais quer este mundo decadente, onde os principais valores são deixados de lado, dando espaço apenas ao capitalismo.

Karine disse...

"Eu não quero este mundo decadente
que se ufana a dizer ser progressista
num suicídio lento, enquanto mente."

Brilhante.

Muito contestador esse soneto,Marcos.Poesia e contestação.Quer combinação mais perfeita?

^^

Beijinhos!
:*

Tânia disse...

Eu quero o amor geral, o Amor perdido ( eu querooo AHSUAHSUA)
Beijoo..

Cami disse...

"... a lúcida loucura do autista!"

Adoro ser uma autista por opção de vez em quando!

Poupa a gente de ouvir muita merda nessa vida!

Bjão!

Marianna Neves disse...

Eu quero sentir o amor!! =D Somente...

Bjos.
Ótima semana.

Fee disse...

Eu quero me casar e ser autista para sempre!

Minnie_ disse...

E quem não quer amor? Algo tão grande e tão impossível que não pode ser marcado por convenções.
Algo que aumente com o tempo, até chegar ao infinito. Algo que atravesse o mar de mentiras, e faça o mundo valer a pena!

Um beeijo!

Larissa disse...

"(...) difuso, tão confuso, assim sem eira
nem beira, só a vontade prazenteira
de viver sem jamais ser iludido."

LINDO, LINDO.
A lucidez do autista, a forma como voc~e se refere a pontos críticos de uma sociedade tão cega, e tão falsamente crítica, perfeito. Parabéns mesmo.

Fabrício Sguissardi Basso disse...

Cara, li um soneto teu nos "Poemas no ônibus", tu és daqui de Porto Alegre? Teus sonetos são muito, muito bons! Este aqui é excelente! Parabéns! Tenho um blogue também, não tão bom quanto o teu, mas agradeço cada visita. Abraços, e continue escrevendo!!!
www.fbasso.zip.net