segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

POESIA, PARTÍCULA EXPLETIVA

POESIA,
partícula expletiva


Mundos em sucessão;
muitos, muitos...,
cada um diverso do precedente;
outros conceitos, nova concepção;
todo instante uma verdade;
em número imensurável
arranjos,
simultaneamente
realidades
distintas semelhantes cambiantes particulares
por causa dos mundos
concupiscente
conjugação.
Assim o “lá me faz bem”,
assim o “lá não suporto”,
o “que felicidades!”,
e aquela situação exasperante...;
todo instante
um parecer;
mundos em sucessão,
o que é vai já deixando de ser:
umas pessoas –tudo bem,
outro arranjo –também,
o mesmo arranjo e cai mal;
bom-ruim-tanto faz
e Poesia onde cai?
Poesia e seus versos
luta, pro-
cura por
cura
a propor
em luta:
pareceres? reflexões?
Indiferença dos céticos
herméticos ven-
cidos porém!
Poesia de alguns...;
compunção, talvez,
con-
solação
não;
a troça de outrem,
troça do próprio poeta
janela
e cai
Poesia em todo mundo em ausência
onisciência
trivi-
al tanto faz;
pois toda vida
janela
e cada janela um mundo;
muitos, muitos...
e o Mundo tantos mundos
em conurbação de mentes
dementes
nos põe
em social conjugação;
e eu e meu vizinho e eu
e nosso vizinho ele
de um mundo terceiro
de sua janela terceiro mun-
dista assim como eu assim como tu
desde manhã percorre mundos a fio
(pela vida que vê de dentro
pela vida que vive fora)
no jesto mais efêmero,
aos furtivos olhares,
nas palavras soltas,
no discurso grave,
em tagarelices
tristes felizes
a cada mais volátil instante
ante
da vida as implicativas
combinações
de vida de mundos-instantes
cambiantes;
tudo sendo instantâneo,
tudo particular
—Poesia, partícula expletiva.


Marcos Satoru Kawanami
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