quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009







O POSTE







Pintado a fogo, outrora, lembra o Império
aquele poste preto de fundido
ferro; pela ferrugem corroído
guarda, dos tempos, líricos mistérios...

Decrépito, vergado, deletérios
insultos de bandidos tem ouvido;
ânsias de Amor jamais correspondido
moldaram-lhe este aspecto assim funéreo.

Vinhetas ornamentam sua base,
e, acima, sua luz, à noite, aventa
a memória que eu guardo e me atormenta:

Eu era adolescente, e um dia quase,
ao pé do poste, lívido a beijei,
amor sem nome, estado, crença e lei.

Marcos Satoru Kawanami

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