quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

IPÊ AMARELO
para Domingos Pellegrini

Desfaz solene a linha do horizonte,
na imprecisa memória de eu criança,
bolindo em sortilégios da lembrança,
silhueta colorida, um certo monte.

Já se adivinha, mesmo que eu não conte,
retrato com palavras não alcança
mescladas impressões tecendo trança
entre o que fui e sou, confusa ponte...

É como a subjetiva melodia
irracional que sai de um violoncelo
plangente e longe no raiar do dia.

É como o brincalhão polichinelo
sonhado, mas real, que então eu via,
sobre o monte, naquele ipê amarelo...

Marcos Satoru Kawanami

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